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14 Jul 2010

Las Vegas

Posted by Tomé Moreira. 1 Comment

Hoje é aquele dia do ano em que Las Vegas me parece a pior cidade do mundo. Mal vejo a hora de me meter no avião e estar novamente com a minha família. Andei de dia para dia para fazer um post sobre o ponto de situação das coisas por cá, mas aqui o tempo voa e é fácil ocuparmo-nos, por isso fui adiando até chegar a uma altura em que decidi escrever apenas quando perdesse nos torneios. Infelizmente, essa altura chegou e é tempo de fazer um balanço final.

Joguei 3 eventos das WSOP: eventos de 1k, 2.5k e o Main Event. Acabei por jogar mais 2 torneios: um no Venetian e outro no Rio. Passo a fazer um breve resumo e cada um deles:

Evento de 1000$

Este evento tinha apenas 3000 fichas iniciais o que torna a jogabilidade difícil, principalmente nos níveis iniciais. Eu nunca consegui passar confortavelmente a stack inicial, pelo que a partir do 3º nível (50/100), tive de adoptar uma estratégia de short stack, para me ir aguentando. No final do nível, com perto de 2000 fichas, enfrento um allin de 1500 de um jogador bastante tight. Impossível largar o meu AK e, fico muito mal ao perder a corrida. Logo de seguida, AJ e shove para levar call de KQ e sair do torneio.

Evento de 2500$

Este torneio tinha uma jogabilidade muito superior e até começou bem. Praticamente dobrei no primeiro nível. Entretanto, senta-se na minha mesa o Pedro Oliveira (skyboy) que me haveria de roubar imensa stack neste primeiro dia. Houve de tudo um pouco, coolers, jogadas normais e também algum azar. Vou apenas referir 2 dessas jogadas em que perdi parte significativa da minha stack.

Numa delas tenho AQ, e o skyboy dá call ao meu raise nas blinds. O flop é Q96ss e ele opta pelo check/call à minha bet. O turn é uma blank e ao fazer check, assumo que a mão dele será muito possivelmente um draw e faço uma ligeira overbet ao pote para não lhe deixar dúvidas quanto ao movimento, mas ele dá call. O river é um K e ele faz uma aposta considerável. Acabei por lhe dizer que a mão dele deveria ser JT e foldei. E foi isso mesmo que ele mostrou.

Na segunda mão, dei 3bet com QQ ao mesmo jogador e ele pagou. O flop é 652 e ele paga a minha cbet, o que na altura me fez pensar que o range seria 33, 44 ou 77-JJ. O turn é um T(10) e aqui pensei  que teria de apostar novamente, mas que levaria fold de tudo o que não fosse um set. O Pedro pagou uma aposta que é quase metade da minha stack no momento e passei a incluir um set como uma possibilidade muito forte. O river é um 9 e decido fazer check/fold, convicto que tou batido para qualquer aposta. Ele mostrou 99, o que me deixou a amaldiçoar a minha sorte.

Fiquei reduzido a pouco mais de 10 blinds e começou a luta pela sobrevivência. Acabei por conseguir fazer alguns folds bastante bons e acabei por ser recompensado com uma dobra de KQ para KT ao fazer um 3bet allin e ainda outra dobra com JJ vs AK. Mesmo nas últimas mãos, tentei esticar um pouco a corda para levar uma stack mais jogável para o dia seguinte, mas acabei por falhar um float e acabei nas 7 mil fichas.

Dia 2

Na primeira mão do dia, dou 3bet allin de AJ e acabo por dobrar para A2. Seguindo uma estratégia tight, consegui manter a minha stack até quase final do nível, altura em que tenho AK na SB e faço shove directo acabando por ser pago por 66 e acabar a minha participação também neste torneio. Pagava a 252 e já faltavam menos de 400 jogadores.

Deep Stack Extravaganza no Venetian

Um torneio de 350$ com um field de perto de 800 jogadores. Neste torneio tive bastante oscilações, mas consegui manter quase sempre uma stack bastante saudável. Senti-me bem perante um field misto e consegui chegar sem problemas ao dinheiro (o torneio pagava a 72 jogadores). Já no dinheiro, quase nem joguei devido a uma run terrível de cartas e à dinâmica da mesa e, já perto do final do dia, com 25 bbs, vejo um jogador ir allin UTG de menos de 2 bbs e haver uma tentativa de isolamento do jogador mais loose da mesa. Não tive dúvidas ao empurrar toda a stack, mas o meu AK seria derrotado pelo QQ do adversário. Pequeno prémio, mas… “melhor que um pontapé nas costas” :D

Main Event

O torneio mais esperado. Estava com bastantes expectativas para jogar mais uma vez o meu torneio preferido. Na verdade, este torneio nem é muito difícil porque tem imensos jogadores maus e a estrutura permite recompensar os mais pacientes.

Dia 1

Comecei bastante bem. Em menos de meia hora já contabilizava perto de 40 mil fichas. Cereja em cima do bolo… Consigo ganhar KK vs AA com um K no river e acabo o primeiro nível perto das 60k que seria a minha stack máxima no torneio.

A meio do dia, faço talvez a minha pior jogada de sempre. Não consigo explicar as motivações para o meu movimento, mas acabei por ir allin no turn com A8s numa board de AjsTs 9 perante um jogador bastante loose e agressivo que me tinha dado call na big blind. Ainda assim, nada explica o meu péssimo movimento. O rapaz deu call com nuts e aproximei-me da stack inicial. Durante o resto do nível, foi a desgraça e perdi potes atrás de potes e tive de acalmar no intervalo de jantar apenas com 14 mil. Acabei por retomar o bom jogo durante o resto do dia, mas terminei apenas com 19.250 fichas.

Dia 2

Foi o dia mais divertido nas mesas. A mesa era fraca, com apenas 2 jogadores razoáveis. À minha esquerda, 3 senhores de idade com quem tive uma interessante tertúlia sobre geografia e história europeias. Senhores tights que explorei praticamente todos os potes. Do outro lado da mesa, um chinês que ganhava todas as mãos em que se envolvia. O dia foi cheio de oscilações e estive 2 vezes com 9 mil fichas, mas consegui recuperar. Uma vez numa corrida e outra com roubos sucessivos. Pelo meio, 3 mãos sucessivas mesmo antes do jantar a destacar:

Mão 1 – AQ copas em UTG+1 e abro. Call de um jogador mau e vem QT3, 2 copas. Como o jogador costumava assumir a iniciativa sempre que não havia acção até ele, decidi-me pelo check, mas ele seguiu-me o movimento. Turn: 6 copas e, incompreensivelmente, dei novamente check, ele apostou 3 mil e eu apenas dobrei a aposta para 6 mil.  Ele pagou. River: 2 copas e pensei que apenas poderia ganhar fichas com um bluff do adversário e… check/check. Acontece que esta jogada sem pés nem cabeça, digna do título de jogada idiota do ano, acabou por poupar imensas fichas ao meu adversário que tinha nem mais nem menos que um set de 6 e custou-me um double up fácil.

Mão 2 – KK em UTG e abro o pote. 5 calls. Flop 723, check das blinds e aposto 3/5 do pote, tudo folda até à BB que vai allin. Acabei por foldar e ver o 33 do jogador chinês.

Mão 3 – AA na BB e levo walk.

Estas 3 mãos tiveram o condão de me tirarem a satisfação do jantar. Mas com um nível final bastante razoável, consegui atingir as 40 mil fichas no final do dia, sensivlemente metade da média.

Dia 3

Mesa com 2 bons jogadores à minha esquerda e o resto muito mau. O dia começou bastante bem e consegui explorar bem a única mão que tive (QQ). Cheguei até perto das 60k até que tive uma mão complicada: decido dar call com KJ ouros a um raise EP e há mais 2 calls. Vem 723, 2 ouros e a SB decide-se pela donk bet de 6k, call do “raiser” inicial e meu também e um senhor sueco aumenta para 26k, fold da SB e allin do “raiser”. Temos todos aproximadamente a mesma stack (50 a 70k) o que me põe a fazer contas sobre pot odds. Acabo por foldar para KK e 33. Entretanto, dou call com AQs na BB para ver um flop de AQ2ss e fazer check/raise no flop, talvez influenciado pela má jogada do dia 2 com a mesma mão. O check/call parece-me superior e acabei por não explorar bem a situação.

Depois envolvi-me com o senhor sueco que me deu 3bet ou call sempre que me mexi e me acabou por destruir o torneio. Em 2 delas, meti mais dinheiro no flop com gutshots e overcards e overpair, mas fui obrigado a desistir no turn. Isso levou-me a cair para as 28k no final do primeiro nível do dia. Depois uma run péssima de 2 horas e venho para 18k. Altura em que vem a mão fatídica que passo a descrever.

É a última mão do nível 600/1200(200) e vai passar para 800/1600. Tou na BB e tudo desiste até à SB que é novo na mesa, tem à volta de 30k e aumenta para 3600. Realizo que é a minha última hipótese para resteal. O que somado ao facto de ter 2 jogadores loose e deep à minha esquerda que me darão call muito light porque só tenho 10bbs. Contudo, peranto o raise, penso que as hipóteses de o meu allin passar deverão ser muito baixas (na altura estimei em 30%), mas a probabilidade de ter 2 cartas vivas é muito alta. Perante tudo isto, decidi que iria allin com quaisquer 2 cartas. Fingi olhar para as cartas e fiz o movimento que foi prontamente chamado pelo adversário. O desfecho foi o mais natural e saí do torneio à volta da posição 1900º. A sensação não foi nada boa, mas isso já é normal e faz parte da vida de um jogador de poker. Pode ser estranha a minha opção pelo allin de J3, mas considero que o movimento é legítimo e fundamentado. O risco era enorme, mas também era muito débil a minha situação no torneio. A frio, dou-me o benefício da dúvida nesta jogada. Não sou grande adepto de uma estratégia de jogar muito short e esperar um volta por um spot razoável que pode não aparecer.

Extra torneios

Passei um bom bocado aqui com gente boa. Divertimo-nos imenso em jantares, compras, espectáculos (vi o David Copperfield e o Snoop Dogg), piscina, no ring (onde ganhei algum dinheiro) e até em alguma gamblice (foi só perder, claro). Obviamente que morro de saudades das minhas meninas porque passei mais de 2 semanas fora de casa. O resultado não pode ser avaliado como positivo, mas a vida é mesmo assim, às vezes corre bem e outras nem por isso. Melhores dias virão.

Pretendo retomar os meus artigos quando chegar a Portugal, porque não foi para este tipo de posts que criei este blog, mas espero não ter sido demasiado massudo…

20 Jun 2010

Ansiedade, Poker e Portugal a campeão

Posted by Tomé Moreira. No Comments

Quase 2 meses depois, volto a publicar algo. Não foi uma paragem planeada, mas surgiram uns constrangimentos que me tiraram o tempo e me obrigaram a atentar noutras prioridades. Mas o importante é que estou de volta. Dentro de uma semana, irei para Las Vegas onde vou jogar 3 eventos das WSOP, incluindo o Main Event onde gostaria de melhorar o meu 336º lugar do ano passado, mas até lá quero retomar e recuperar algum tempo e publicar um ciclo de artigos. Este ciclo será sobre o nosso dia-a-dia e o poker e terá 4 artigos: a ansiedade e o Poker, o sono e o Poker, o exercício físico e o poker e a alimentação e o poker. Vou também colocar alguns resumos de torneios deste ano.

Uma sociedade veloz

Talvez o sinal mais marcante dos nossos tempos seja o acelerado ritmo a que as coisas acontecem. Tudo é rápido, tudo é imediato e não há tempo a perder. As nossas necessidades surgem e crescem a um ritmo alucinante e são alimentadas por tecnologias surpreendentemente inovadoras que, por sua vez, acabam por criar ainda mais necessidades criando um ciclo vicioso. E tornamo-nos pessoas ansiosas.

Este fenómeno torna-se ainda mais vincado nas culturas latinas. Falei recentemente com um amigo que está a trabalhar num projecto na Suécia. Estava a terminar a fase de análise e concluiram que o planeamento duraria 10 meses e que as restantes fases (desenvolvimento, testes e estabilização) teriam uma duração de 75 dias. “Exactamente como acontece em Portugal”, pensei. Este tipo de abordagem paciente e racional não é típico das nossa sociedade, aliás, planeamento é algo de que ouvimos falar, mas que quase ninguém pratica. E isto também nos torna mais ansiosos.

Ser ansioso é contra-producente no poker, uma vez que se trata de um jogo de médio e longo prazo. O que significa que quem tiver ideias de fazer dinheiro rápido e fácil no poker, poderá encontrar alguns dissabores. Este artigo pretende conciencializar para esta realidade.

Mundial de futebol

Para ilustrar onde quero chegar, deixem-me falar um pouco do evento do momento: O Mundial de futebol. O futebol tem poucas similaridades com o poker, mas, neste caso, servirá para explicar a ideia. No mundial existe um conjunto de selecções históricas, podemos incluir neste grupo o Brasil, Argentina, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Espanha, e mais uma ou outra. Estas equipas, quando defrontam outras selecções são apontadas como favoritas, de tal forma, que as casas de apostas (que ilustram, grosso modo, a opinião geral) atribuem favoritismos enormes a estas equipas. Ainda ontem a Inglaterra estava com uma odd para vitória entre 1.2 e 1.25 frente à Algéria e a Alemanha com 1.7 frente à Sérvia que tem uma equipa muito talentosa. Mas o que acontece é que a globalização já chegou ao futebol há muito e as restantes equipas (tirando meia dúzia claramente mais fracas), também têm jogadores motivados e bem preparados que jogam nos maiores campeonatos e são bem preparadas pelas equipas técnicas tanto física como organizativamente. E essa é a razão que justifica o que os media têm classificado de chorrilho de surpresas. Será? A mim não me tem surpreendido muito e quem tiver apostado contra os favoritos neste mundial deve estar a fazer uns bons trocos :-D

Ansiedade no poker

Pois bem,  no poker as coisas são idênticas, embora que por motivos bem diferentes. No futebol, a boa preparação dos jogadores equilibra as coisas, no poker, a variância produz o mesmo efeito. Podemos colocar um jogador de topo frente a um iniciado e ninguém garante que o melhor saia a ganhar em meia dúzia de mãos. Será necessária uma amostra bastante razoável para se notarem as diferenças. Daí ter referido o poker como um jogo de médio ou longo prazo que não se compadece com ansiedades.

Há uns meses, um amigo dos tempos de faculdade soube do meu interesse pelo poker e abordou-me porque estava a pensar em começar a jogar. Desde logo pensei que ele poderia ser muito promissor, uma vez que é extremamente empenhado. Inicialmente, a coisa parecia ir muito bem. Começou por devorar livros e a participar em fórums e, quase todos os dias, me aparecia com problemas que eu tentava ajudar a solucionar. Os resultados estavam a aparecer quando de um momento para o outro, simplesmente disse que não valia a pena, que era só sorte e desistiu definitivamente.

O que aconteceu neste caso, é que o meu amigo foi “morto pela ansiedade”. As coisas estavam a correr bem e criou expectativas, subiu de nível até, mas apanhou uma “bad run” em meia dúzia de milhares de mãos e, psicologicamente, não estava preparado para o efeito variância. E esta questão é simplesmente vital no poker. O suporte psicológico é essencial e sem isso as coisas nunca poderão correr bem porque as “down  swings” estão sempre a aparecer e não poupam ninguém. Saber lidar com os maus momentos é talvez a chave de um jogador regular e tem muito que se lhe diga, mas haverá oportunidade para abordar o assunto noutras alturas.

Portugal… Portugal…

Voltando ao futebol, a selecção nacional deixa-me verdadeiramente ansioso, mas no fundo sei que andamos aqui iludidos por uma causa quase perdida. Obviamente, continuo com esperanças, mas, sendo racional, a nossa selecção é um desastre com jogadores claramente abaixo da média. Quem nos dera ter um Lisandro, Lucho Gonzáles, Zaneti ou Cambiasso a titulares… Jogadores deixados de fora por Maradona… Para já não falar em comparações em que perdíamos pelo menos 9-2 se analisássemos posição a posição contra a nossa vizinha Espanha. E comparações parecidas poderiam ser feitas com a Sérvia, Uruguai, México ou Chile… A ajudar às nossas limitações temos ainda casos e uma equipa técnica que insiste em meter toda a equipa a jogar para um Ronaldo que quer fazer tudo e acaba por não produzir muito. Enfim, pessimismos à parte e força Portugal… que a sorte esteja connosco que temos de mandar muitas “bad beats” para sermos campeões.

22 Apr 2010

Etapa Chaves – Abril 2010

Posted by Tomé Moreira. 3 Comments

Esta foi mais uma etapa regular do circuito, disputada em Chaves. Desta vez, o torneio correu bastante bem e consegui o meu melhor resultado no circuito até ao momento ao perder apenas no HU final.

O primeiro dia do torneio  nem começou muito bem, estando grande parte do dia abaixo da média. Numa mesa com conhecidos e desconhecidos, a ideia era ver bastantes flops enquanto a stack estivesse confortável e tentar arranjar algum spot que me permitisse manter acima das 50 BBs por mais tempo tentando contrariar um pouco a natureza turbo destes torneios.

O problema desta estratégia loose é que, ao jogarmos mãos marginais, vão surgir, frequentemente, situações que nos obrigam a colocar fichas na mesa, apesar de precisarmos que a nossa mão melhore (por exemplo, nos projectos). Se as coisas correrem bem, vamos aumentar significamente a nossa stack, mas, caso contrário, corremos o risco de ficarmos shorts rapidamente. No entanto, a estrutura deste torneio justifica claramente os riscos. Pois bem, neste caso, falhei vários draws (projectos) e fui decrescendo. Cheguei a ter apenas 5 mil fichas e fui allin com AJ no botão, recebendo de pronto call do Lino Cunha com TT e sendo miraculosamente salvo numa board AT8 9 Q! Esta mão acabaria por dar um mote para uma segunda parte do dia muito boa ajudado por algumas boas mãos em momentos cruciais, terminando o dia com 270 mil fichas em 2º lugar na contagem geral. Houve várias mãos interessantes, mas, para o post não ficar excessivamente grande, desta vez colocarei apenas algumas mãos do dia 2.

Dia 2

Fui colocado numa mesa de shorts.  Tirando a minha, a maior stack da mesa estava abaixo das 10 BBs. Isto não era bom nem para eles, nem para mim, porque, apesar de estarmos próximos da bubble, qualquer pretexto seria válido para os meus adversários apostarem a sua stack de forma a tentarem sair da situação complicada em que estavam. Isto obrigou-me a jogar apenas mãos que me permitissem pagar os allins. Rapidamente, uns shorts foram perdendo e outros foram saindo do buraco e o torneio tornou-se mais jogável. As blinds estavam gigantes e, lentamente, comecei a abrir alguns potes, principalmente nas blinds das maiores stacks. Inclusivamente, tive uma mão (JJ) que me permitiu eliminar a bubble.

Com a entrada no dinheiro, sentou-se à minha esquerda outra “big stack” na mesa, o Paulo Sarmento. Eu já sabia que ía “haver molho” e teríamos de resolver rapidamente quem ía mandar na mesa. À sua 3ª abertura (em UTG), dei-lhe 3bet e ele, felizmente (porque eu tinha pior), largou 99. O Paulo é muito bom jogador, mas do que conheço dele, tende a jogar também com o ego, por isso, ao abrir no botão, já sabia que deveria levar 3bet e assim foi, larguei sem problemas. Surge então a seguinte mão:

Blinds a 5k/10k e tenho 370k e o Sarmento à volta de 260k. Tenho a melhor mão do dia (KK) em UTG e abro o pote para 22k e ele dá-me 3bet (55k). Há um call allin entretanto e a acção volta a mim. O Sarmento tem 26bbs e já investiu 5.5bbs (praticamente na fronteira do “commitement”). Ou seja, qualquer subida da aposta do meu valor vai obrigá-lo a decidir se “joga para a stack” sabendo que eu já não desisto. Ora, um 3bet dele a uma aposta minha tem um range bem grande pelo que, se quero extrair mais algumas fichas, em princípio, vou precisar de algum tipo de ajuda da board, por isso, a jogada superior nesta situação é, claramente, o call.

O flop vem 8♥8♦9♠. E ambos “check”.

O turn é um 2♠ e aqui já não faz sentido em continuar sem apostar e meto cerca de 1/3 do pote, recebendo imediatamente allin do Paulo. Dou “snap call” para ver A♠T♠ na sua mão para flush draw. Ganho ambos os main e side pots e fico chip leader do torneio.

Já sem jogadores agressivos, foi relativamente fácil abusar um bocado da mesa e ir aumentando a stack. Entretanto, com 20 jogadores, a mesa fecha e vou para uma nova mesa. Na nova mesa, a estratégia continuou. Fui abrindo alguns potes, mas sem exagerar enquanto a mesa estivesse muito cheia. Foi então que perdi uma boa parte da stack numa mão que viria a ser muito aplaudida pelos flavienses presentes: :D

Abro com 6♦4♦ no HJ e recebo call do botão e da BB. O flop vem A♠2♦6♥ e, com algum valor, decido dar check e não há acção na street. O turn é T♦ o que melhora a minha mão (par e flush draw). Perante novo check da BB, decido subir o pote e levo call do botão (Paulo Jorge, que viria a ganhar o torneio). O river é um 5h, que decididamente não ajuda ninguém. As minhas hipóteses são agora desistir ou blufar porque, sem dúvida que estou atrás na mão. Eu não conhecia o jogador do botão, mas sei que: 1. ele tem uma stack relativamente confortável; 2. a minha linha esconde a minha mão apesar do check no flop; 3. a linha passiva do Paulo e a forma reticente como pagou o turn permitem-me pensar que não está forte. Decido então que um bluff pode ter uma boa possibilidade de êxito se a aposta for grande suficiente para colocar o torneio dele em risco. Ele tem sensivelmente 330k para trás e penso que a aposta que mais me amedrontaria no lugar dele seria se me colocassem à volta de 2/3 da minha stack (que corresponde a 4/5 do pote). Aposto 230k. Na altura achei que o Paulo poderia ter um As sem kicker e, que a menos de A5, ele largaria. Pois bem, o Paulo pensou um bocado e pagou com 77! Ainda dei uma pequena gargalhada, porque mais um pouco e estava à frente… Seria a minha melhor value bet de sempre. Por engano… hehe

Fiquei reduzido a 400k (20BBs), mas ainda perfeitamente em jogo e não seria este pote que iria alterar a minha forma de jogar. Um jogador espanhol (Miguel Rivero) à minha esquerda estava constantemente a aproveitar a minha agressividade para ir allin e, assim, tive de apertar um pouco o range. Entretanto, tenho AK em UTG e, ao subir, o Miguel faz o movimento habitual (allin, de QTo). Call fácil e a mão aguenta e estou novamente com fichas. Com o encurtar da mesa, surge também a oportunidade de infernizar a vida aos demais. O Paulo lá ía pagando os raises pré-flop, mas se não ía à 1ª, ía à 2ª (flop) ou à 3ª (turn). Aparentemente, parecia que não acreditava que o pudesse voltar a “bluffar” depois daquela mão e lá ía desistindo. Com isto, regresso ao comando do torneio à entrada da mesa final.

Mesa Final

Com a mesa novamente cheia, era altura de voltar a apertar o range. Mesmo assim, nas primeiras vezes que abri o pote, perdi fichas, ou porque tive de pagar o allin e perdi, ou porque tive de desistir. Não baixei os braços e, começo a ganhar algumas fichas com roubos bem sucedidos. Isto começa a gerar algum aborrecimento em alguns jogadores.

Entretanto, o Victor Moreira, que se notava que queria começar a jogar, mas não arranjava oportunidade, aproveita um furo e abre o pote para 95k (blinds 20k/40k). Eu no CO, com quase o dobro da sua stack (650k), e com KsQs, vejo uma excelente oportunidade para fazer call porque a mão é muito interessante para jogar contra o seu range e ele vai ter uma dificuldade imensa em jogar o flop com 16bbs já que, qualquer continuação da aposta, vai obrigá-lo a gastar mais de 1/3 da sua stack. Dou call e o Rómulo vai allin na SB. O Victor fica completamente entalado e ali, como não tem monstro, teve de foldar. Mas o allin do Rómulo é de menos de 300k. O Rómulo deixou-me uma excelente impressão no torneio (bem como a sua namorada Sofia Mendes, devo dizer), mas aqui cometeu um erro. Achou que era uma boa oportunidade para “squeeze”, mas obviamente esqueceu-se de que as minhas odds ali são gigantescas e simplesmente não posso foldar. Na verdade, tenho de pagar 200k para um pote de 550k o que me dá odds de quase 3 para 1. Na prática, já só preciso que uma carta esteja viva para que compense o call. Sem demoras, dei call e ele até estava dominado.

Este pote foi bastante importante porque disparei na liderança tendo quase o dobro de fichas do 2º. Com 8 jogadores, blinds titânicas e com os lugares a serem pagos com intervalos já consideráveis, estavam criadas as condições para ter mesmo de jogar em bully mode. Lembro-me de pensar que o ideal era abrir todos os potes, mas não consegui chegar tão longe. Como havia muitos shorts, até deixei de me preocupar com contas de ter de pagar este ou aquele allin. A prioridade era subir e roubar blinds. Se levasse allin, logo faria as contas…

Em seguida, elimino o Carama que estava short, ao dar call de AJ e o pensamento anterior fica ainda mais reforçado porque saía um dos melhores jogadores ainda presentes. Aqui, o Paulo eliminou mais 2 ou 3 e eu entretia-me a roubar mais de metade dos potes. Sempre que tinha mão, aproveitava para mostrar, para dar mais legitimidade aos movimentos. Com apenas 5 jogadores e a pressão do peso dos escalões dos prémios cada vez maior, aumentei ainda mais a quantidade de raises conseguindo ganhar órbitas inteiras. Entretanto, como acontecia algumas vezes, levo um call do Paulo Jorge. O flop traz-me top pair numa board toda de espadas e faço shove directo. Ele tem um call destemido e muito difícil com top pair também, mas melhor kicker e dobro-o. Mais uns roubos e os restantes 3 estão agora a jogar apenas com um par de blinds acabando por ser eliminados.

HU

Comecei o HU com 60% das fichas em 50 blinds em jogo o que é terrivelmente pouco para explorar o jogo do adversário. O Paulo decidiu jogar muito agressivo o que, aliado à minha má “run” inicial, o levou a ganhar muitos potes e a inverter as stacks. Tive de adoptar uma estratégia de paciência e esperar por uma mão razoável para poder pagar o allin. Isto verificou-se quando vi QQ e, ao ganhar o pote, fiquei com 80% das fichas em jogo. Aparentemente o torneio estava decidido, mas o Paulo adensou a agressividade e foi allin praticamente todos os potes. Uma dinâmica já vista repetidamente era eu completar a aposta na SB e ele disparar allin directo. Na tentativa de provocar essa situação, paguei apenas com TT e ele deu check. Dei call ao allin num flop de Q high e com alguns projectos possíveis, mas ele tinha mesmo a Q, re-equilibrando a contenda.

De novo com stacks equilibradas, tive de arranjar formas de responder à agressividade do Paulo e as coisas estiveram equilibradas durante algum tempo até que, vejo um top pair num flop e pago o allin do Paulo que estava num projecto de cor. O projecto concretiza-se e ele vence o torneio.

Resumindo

Em primeiro lugar, repito os meus parabéns ao Paulo. Quanto a mim, adorei o torneio porque me diverti imenso e estou muito satisfeito com a minha prestação. Considero muito bom ficar em 2º lugar num torneio com mais de 300 pessoas, principalmente sabendo que, com esta estrutura, consegui o feito sem ganhar nenhuma mão em que estava inicialmente atrás. No entanto, o que mais me deixa satisfeito é que, não consigo encontrar nenhum erro nos meus movimentos durante os 2 dias. É estranho e deve ter havido algum, mas prefiro pensar que joguei bem ;) Venha o próximo!

18 Apr 2010

EPT San Remo

Posted by Tomé Moreira. 3 Comments

Terminou a temporada de EPTs para mim. Joguei 8 torneios dos 12 calendarizados tirando o Main Event que não está nos meus planos, talvez para o ano…

San Remo é um dos torneios do circuito mais apetecíveis, não só pela adesão mas, principalmente, pelo field italiano que tem fama de ser dos mais fáceis.

Pois bem, neste torneio, não posso dizer que tenha tido a sorte de ter uma mesa muito acessível. Como referi a certa altura na reportagem do pokerpt, a mesa era mista. Sentei-me no lugar 6 e à minha direita tinha 5 jogadores fortes, os dois primeiros americanos, depois um francês pro, um italiano bom jogador e ainda um outro francês muito agressivo. Imediatamente à minha esquerda, um jogador muito tight e depois 3 jogadores fracos: 2 italianos e o Boris Becker.

Mãos relevantes

Ganhei a primeira mão do dia :-D , mas durante os primeiros dois níveis, a minha stack sofreu bastantes oscilações, ou por bluffs falhados ou projectos que não se concretizaram. No entanto, as variações situaram-se entre os 27k e os 32k, nada de especial. Uma implicação da acção da mesa, foi tornar-me mais cauteloso que o normal e, consequentemente, apertar o range.

No final do nível 2, surgiu a 1ª mão de relevo. Pago, no CO com AJo, um raise para 550 do jogador à minha direita (francês agressivo, algo imprevisível e que já fora apanhado num par de situações a bluffar). A BB (italiano errático e loose) dá call. O flop vem K♦Q♥T♦. Após o check da BB, o francês continua a aposta com 1100. Aqui o melhor movimento é, sem grandes dúvidas, o call de forma a esconder a mão do agressor e a facilitar um movimento da BB. No entanto, a BB desiste e o turn traz um 2♦ a estragar a perfeição da board. Decido apostar 1800 após o check do francês num pote perto dos 4000 (penso que fui pouco competente a escolher o sizing da bet, uma vez que a perigosidade da board pede mais agressividade) e levo call. O river é o A♦ e o rapaz faz lead de 4800. Pondero as minhas hipóteses e, decididamente, a Q♦ poderia estar perfeitamente na minha mão dada a acção anterior. Aliando isto ao facto de o jogador me parecer relativamente atento , decido que é pouco provável estar perante um bluff e desisto mostrando a minha mão. O facto de mostrar a mão tem o objectivo de passar uma imagem de “easy folder” à mesa, principalmente aos menos experientes, facto que tentaria usar no futuro.

No nível 100/200 pouco se passou, tirando duas mãos com AK. Numa dei 3bet e levei o pote e na outra abri e levei 4 calls e fui forçado a fazer check/fold no flop. A próxima mão relevante surge, por isso, no nível 4 (150/300), altura em que a minha stack se situava pelos 24k. O utg+1 (italiano bastante activo com 9k de stack) abre para 650 e eu decido dar apenas call com TT em “middle position”. O italiano referenciado na mão anterior que atingira perto das 60 mil fichas, mas entretanto já tinha andado a distribuir e estava agora algo short (18k), também se junta à festa. O flop vem 7♠5♠2♥ e surge a cbet de 1400 à qual dou apenas call por estar um pouco às escuras sobre a mão do agressor. O italiano do botão pergunta a stack do conterrâneo e decide ir allin recebendo fold do agressor inicial. Aqui o meu primeiro impulso foi dar call, principalmente pelo facto de ele ter perguntado a stack o que sugere um movimento de tentativa de isolamento. Mas depois reflecti um pouco e chego à conclusão de que perder este pote será um duro golpe nas minhas aspirações no torneio e que, mesmo aquele jogador só pode ter set, 2 pares ou um draw combinado (mais provável). Decido que não vale a pena o risco, apesar de ter 80% de certezas de que estou perante uma corrida e convenço o rapaz a mostrar a mão para me certificar da minha leitura. Ele mostra 9♠6♠ e eu mostro também a minha mão que indica aos mais atentos da mesa que o meu range para 3bet em “middle pos” é JJ+, AK.

Atinjo o 2º intervalo do dia com 21k e um pouco desanimado. Com 3 jogadores sitout, tento roubar a 1ª mão, mas um dos americanos paga tanto o raise como a cbet no flop e, ao desistir, caio para os 18k. Aqui decidi que era altura para mudar para o plano B e jogar mais “TC style”, ou seja, muito activo, arriscando mais, uma vez que a minha stack começava a entrar em terrenos pouco confortáveis. Um dos americanos raisa e dou call na BB com K7s. A board traz “open ended” e “flush draw” e ganho o pote em check/raise no flop. Mão seguinte, KK na SB e o outro americano raise e decido-me apenas pelo call porque ele tendia a foldar 3bets muito light e no flop tinha dado sempre cbet. A mesma linha de check/raise no flop e levo mais um pote. Aproveito ainda mais 2 spots late postion para roubar e dar cbets e rapidamente estou próximo da stack inicial. Respiro melhor até que cometo o que considero ser o meu único erro no torneio na seguinte mão:

AKo, EP e raise para 800. Levo com 5 calls. O flop tráz T75 (tudo espadas) e eu tenho o Ás de espadas. Fold até mim e lembro-me de ter a brilhante ideia de que a melhor forma de esconder a mão é bet e mando 2.5k  para o meio (duhh!?). Fold até à SB que é o francês agressivo que faz raise allin. Peço contagem, mas logo depois precipito-me com um call ao avaliar a sua stack em pouco mais de 10k. Afinal a stack dele era de 14.800 e a mão é 9s8s o que reduz os meus inicialmente 9 expectáveis outs para 5 fazendo do meu movimento um mau call. 11k!

Logo em seguida, sou bem sucedido com um roubo e passadas mais algumas mãos dou call na BB a um jogador novo que estava no lugar do Becker que havia sido entretanto eliminado com J♠8♠. O flop é Q♠T♠X e ganho o pote mais um vez em check/raise. Estou agora na sb com 15k na última mão do nível 5 e o mesmo jogador volta a raisar o que me indiciou uma mão forte. Há um call e eu sigo o exemplo com 99. O flop é 9♠6♠4♠ dando-me top set. Induzindo fraqueza, repito novamente o movimento de check/raise, mas desta levo reraise allin e respondo de pronto com call vendo A♠A♣ na mão do adversário. Uma espada no turn deixa-me apenas com a possibilidade de um redraw de 10 outs que não se concretiza e acabou o meu torneio.

Resumindo

E terminou a época 2009/2010 dos EPTs com um saldo de um 11º lugar em Vilamoura e um 15º em Varsóvia em 8 participações. 6 presenças no dia 2. Um saldo que não me satisfaz porque o objectivo era uma presença numa final table, algo que não foi possível mas que esteve muito próximo de acontecer, principalmente em Vilamoura. Será um objectivo a perseguir para o ano. O ponto mais positivo da participação neste circuito foi a experiência que adquiri. Sinto-me muito melhor preparado para enfrentar este tipo de torneios, mas reconheço o grande valor de algumas dezenas de jogadores do circuito que fazem estes torneios muito duros. Mas agora é tempo de balanços e descanso. O próximo grande desafio serão as World Series em Junho/Julho. Até lá, vou andar a jogar o que houver em Portugal.

18 Apr 2010

Torneios

Posted by Tomé Moreira. No Comments

Enquanto não inicio um novo ciclo na linha dos anteriores, vou aproveitar para fazer um breve resumo dos torneios jogados desde a abertura do blog. Isto contraria um pouco a ideia educativa inicial, uma vez que vou colocar termos não introduzidos e explicar jogadas que, para alguns leitores, vão ser difíceis de compreender. De qualquer forma, mesmo que algumas coisas possam não ser compreendidas, não me parece que seja prejudicial e sempre vão tendo uma noção das dinâmicas nos torneios live (ou melhor, da minha dinâmica :-D ).

Já que estou retido aqui em San Remo e os aviões tão todos parados, vou-me entretendo a fazer resumos de torneios, o objectivo final será criar uma página com o resumo de todos. Vou começar de trás de frente e resumir já o EPT San Remo.

6 Apr 2010

O céu é o limite

Posted by Tomé Moreira. 1 Comment

No último post, relativamente à gestão de banca, referi 2 tipos de abordagens: Os cautelosos e que gostam de explorar jogos de buy-in baixo face à sua banca (“grinders”) e os que se orientam para subidas rápidas arriscando grandes quantidades de dinheiro com o intuito de fazer dinheiro rápido (“shoters”). Apesar de ter dito que cabe a cada um escolher o tipo de gestão que pretende, é inegável que o risco da segunda abordagem é muito maior que a primeira.

A adrenalina de coisas novas

Nos tempos de juventude, são mais ou menos frequentes as trocas de namoradas (namorados) e, por conseguinte, os desgostos amorosos e a necessidade de falar com amigos para aliviar amarguras. Num desabafo deste género com um “mulherengo” amigo de faculdade, ele respondia assim quando eu sugeria que tantos problemas com as meninas teriam de ser também problema dele: “eu sou meio americano nesta questão, pois quando estou bem com uma rapariga, sinto a necessidade de algo novo e passar para o nível seguinte, e quando estou bem no novo nível, preciso de subir novamente até que se atinge um nível em que tudo corre mal!”

Este episódio veio-me recentemente à memória quando um colega do poker me explicava que estava a jogar aquele limite porque no dia anterior tinha entrado completamente em tilt e dado um “shot” no nível seguinte onde acabaria por recuperar as perdas. Vai daí, decidira jogar ainda um nível mais acima porque a estratégia estava a funcionar.

Neste caso, uma boa conversa de uma hora, foi suficiente para recolocar este jovem no caminho certo, mas normalmente, o descontrolo emocional, leva a que as pessoas queiram tudo menos lições de moral.

Então os shots já não são uma abordagem válida?

Uma coisa são os shots devidamente planeados e preparados, outra são shots resultantes de “tilt”.

O poker é um jogo psicológico e é importante sentirmos conforto nos níveis em que jogamos. Claro está que ninguém se sente confortável estando emocionalmente derrotado. Para além disso, quando experimentamos um novo nível, os números são diferentes e é bom que a habituação aos novos valores não seja forçadamente drástica de forma a não se sentir tanto o peso do dinheiro.

O poker é um jogo de paciência e estratégia e por isso, será conveniente conhecer as novas dinâmicas nos novos níveis assim como ter algum conhecimento dos jogadores, algo que só se obtém com observação e preparação prévias.

Shoters em Portugal

Como se sabe, existem imensos clubes de poker por este país fora. Alguns deles, em jeito de brincadeira, gostam de assumir lemas sobre o assunto deste post (por exemplo: o movimento “Vai todo” – bons amigos meus). É também comum, ouvir-se a frase “o céu é o limite” nos torneios se bem que como forma de motivação para chegar o mais longe possível. Estas frases são, normalmente, utilizadas por jogadores completamente cientes destas questões , mas obviamente que, também nesta questão, há casos pouco recomendáveis no nosso país.

Já deve ter dado para perceber que eu sou particularmente cauteloso nestas questões e shots não é algo que eu pratique com frequência. No entanto, não penso que eles sejam algo mau. Fazer um plano e preparar um shot devidamente, pode ser um passo em frente numa carreira. Agora, sem essa preparação, um jogador regular até pode ter sucesso a curto prazo, mas estará condenado ao insucesso porque, o céu é limite, mas os pés têm de estar bem assentes na terra.

Novo ciclo

Este ciclo relativo à “Iniciação ao Poker” está a terminar e foi, definitivamente abstrato e muito teórico. É até possível ter gerado alguma confusão ao utilizar termos que não foram explicados ou por abordar temas sem a necessária profundidade. Por exemplo, no caso deste mesmo post, se optasse por uma análise minimamente prática, deveria ter indicado algumas boas práticas para se fazer as alterações de limites como: fazer a passagem de uma forma gradual, jogando inicialmente poucas mesas para que as diferenças sejam assimiladas e consolidadas passo a passo; criar “stop losses” e fazer análises das mãos assim que estes sejam atingidos; não fazer alterações significativas no estilo de jogo por estarmos a jogar num novo limite (erro bastante comum), etc… Não vou continuar porque haverá oportunidade para voltar a este tema no futuro seguramente.

Coloquei uma “comment box” (como já havia prometido), para que possa responder a eventuais questões e ler sugestões para o blog. Uma das utilidades que podem dar a esta Cbox é sugerindo um novo tema para eu ir abordando em Abril já que ainda não tenho uma ideia bem definida. Fico desde já agradecido.

26 Mar 2010

Gestão de Banca

Posted by Tomé Moreira. 1 Comment

É praticamente consensual que nenhum assunto assume tanta importância na vida de um jogador de poker como a gestão de banca já que dela depende tão só o seu êxito e a sua sobrevivência.

Nos meus 5 anos de convivência com o poker, familiarizei-me com vários termos, uns mais fáceis de compreender que outros. De facto, conseguimos estabelecer um paralelo com a vida com quase tudo o que encontramos no poker, mas há algumas particularidades. Uma delas é a Variância. Toda a gente sabe o que é e, em alguns meses nas mesas, entende o termo, mas a sua gestão é algo de difícil prática. Vejamos, na vida, a variância financeira será o conjunto de fenómenos que fogem ao ordinário do nosso quotidiano: uma multa, uma doença, um acidente são despesas extraordinárias; um prémio no euromilhões, uma herança, ou um presente são receitas extraordinárias, mas estas situações são pontuais. O problema é que, a não ser que sejamos correctores bolsistas de alto risco, a vida não nos prepara para as oscilações com que o poker nos depara. As downswings e as upswings são tão frequentes, pronunciadas e imprevisíveis no poke,r que a gestão da nossa banca é mesmo um assunto complicado. Mas não vou falar de dowswings e upswings, este assunto fica para outro post.

Mesmo os grandes jogadores de poker que conhecemos hoje em dia, têm,quase todos, a sua história de “quando fui à bancarrota…”. Isto, por si só, é demonstrativo dos perigos que este jogo encerra. E tudo isto é culpa de uma característica muito humana: a Ambição. Todos nós, quando nos envolvemos em algo, queremos crescer e evidenciarmo-nos dentro do nosso espaço, é até normal e saudável que assim seja. Mas, se no nosso emprego, ao sermos promovidos, não é expectável sermos despromovidos, já no poker, quando subimos de nível, ninguém nos garante o sucesso. E com as subidas todos nós lidamos na perfeição, o problema é saber lidar com as descidas. Não é nada agradável termos de nos ajustar a limites mais baixos que já deixámos há algum tempo. Parece que estamos a jogar a feijões e já não conseguimos manter o mesmo grau de concentração, motivação e disciplina. Mas por vezes é necessário. Os bons jogadores de poker, acabarão por aceitar estas vicissitudes como algo de inevitável e que os fortalecerá no futuro.

“Gestão de banca? Uma treta…”

Ultimamente tenho ouvido várias pessoas a desvalorizar a Gestão de Banca. O argumento é simples: de que vale sermos óptimos gestores se, no essencial, não conseguirmos ganhar dinheiro. É um excelente ponto de vista e, sem dúvida, muito pertinente. Mas eu coloco a questão de outra forma: é essencial sermos, de facto, ganhadores, mas é fundamental saber o que fazer com o dinheiro. Por isso, apesar de serem conceitos muito diferentes, são associados. Apenas salientei este facto, porque esta não pode ser uma desculpa para menosprezar a Gestão de Banca. Um bom jogador é aquele que ganha com regularidade e sabe gerir o seu dinheiro.

Mas qual a melhor forma de gerir a banca?

Quando me iniciei nestas lides, li muitas vezes que para iniciar um limite deveria ter 20 buyins (se jogasse cash). Bem, passados uns anos e já tive aí seguramente uma meia dúzia de dias em que perdi/ganhei 20buyins num único dia, por isso… alguém me enganou! Eu também não sei qual é o melhor valor para toda a gente, mas, se aprendi alguma coisa é que, apesar de ter a perfeita consciência que não sei gerir a minha banca na perfeição (e tenho as minhas dúvidas que alguém saiba), já tive dias piores. Tenho umas luzes… Sei qual é a minha zona de conforto e estou preparado para quase tudo. Pelo menos, sei que a minha banca pode sofrer alterações significativas, mas que a minha vida pessoal, não sofrerá mais que umas controláveis e passageiras alterações de humor. Por isso, sou da opinião que cada um deverá fazer uma análise distante e racional da sua evolução e tentar reflectir inteligentemente sobre a questão para tentar estabelecer limites. Obviamente, que as conclusões variarão imenso de pessoa para pessoa.

E qual o objectivo de um jogador de poker?

Uma coisa é certa: a banca existe para ser usada. Uns terão necessidade de tirar algum dinheiro para a sua vida pessoal, outros não. O dinheiro reservado para o poker pode ter, de facto, vários fins. Eu consigo ver 2 grandes grupos: os “grinders” – jogadores adeptos do multi-tabling que gostam de jogar níveis mais baixos em que se sintam completamente à vontade (neste caso a evolução será lenta); e os adeptos dos “shots” – o objectivo é chegar o mais alto possível no menor espaço de tempo  possível. Não existe uma aproximação mais correcta, tudo tem a ver com o perfil pessoal, o importante é conhecer as eventuais consequências e aprender a conviver com o risco. De preferência, mantendo a sanidade mental…

Gestão de Banca em Portugal?

Analogamente ao que se passa um pouco por todo o lado, esta rápida popularização do poker, provocou um crescimento grande de jogadores, muitos deles jovens entre os 18 e os 25 anos. E aqui está um problema. Ressalvando as devidas excepções, um rapaz universitário, que nunca trabalhou, está dificilmente preparado gerir bem um salário (que tipicamente nunca teve). Agora imaginem qual a sua destreza para a gestão de uma banca volátil como o poker. É óbvio que existem muitos extraordinariamente bem sucedidos e todos sabemos os seus nomes. Muitos deles correm enormes riscos ainda, outros são saudáveis e admiráveis excepções. Mas dos casos mal sucedidos, ou ouvimos uns ecos ou nem sequer ouvimos falar.

A minha avó costumava dizer que “o dinheiro é de quem o poupa, não de quem o ganha”, ou então, “a verdadeira felicidade não é ter muito, mas sim saber-se viver com o que se possui”. Se atentarmos nos casos conhecidos de pessoas que ganharam vários milhares em loterias e, passados alguns meses, voltaram à estaca zero, daremos razão à sabedoria popular. A correcta racionalização do dinheiro é fundamental no dia-a-dia, mas no poker, essa necessidade, é exponenciada.

23 Mar 2010

EPT Snowfest – Dia 1

Posted by Tomé Moreira. 2 Comments

Enquanto não tenho as coisas oleadas aqui no blog, vou colocar um post normal com um breve resumo do dia 1.

O dia começou a perder 2000 fichas na primeira mão. Não me recordo como perdi, mas sei que fiquei sem elas. Depois tive 2 níveis a jogar potes com mão marginais e lá consegui arranjar uns spots para blufar até que passadas umas 2 horas, com AQs, acertei em cheio num flop de KJT e ainda com flush draw! Infelizmente, veio um A e depois um K e não deu pra ganhar muito, mas atingi os 42k após flopar nuts contra o elo mais fraco da mesa, mais uma vez a board ficou mesmo chata e tive de seguir uma linha passiva em check/call.

Pares baixinhos

Nos níveis 3, 4 e 5 tive vários pares baixos. Ao longo do dia devo ter visto uns 20 potes nestas situações. Não bateu nenhum, mas ainda consegui ganhar um ou outro pote. Aqui desci para as 27k.

Subida

Perante a completa ausência de mãos, tive de raisar mãos imensamente marginais para não construir uma imagem demasiado tight. Exemplo foi um T9o em que abri e levei call do senhor habitual. Desta vez, decidi jogar aquilo como se tivesse ases, mas ele pagou 2 barris numa board de 227 3. Tive imensa sorte quando vi um 9 e pus fazer check/call e levar o pote.

Depois, tive odds para pagar 78 (ouros) na bb. e flopei nuts (Ts9s6c). Fiz x/r pra 7k e levei com insta 3bet para 17k. Pensei imenso, mas comecei a temer por um set ou AKs. Pensei também que muitas cartas iriam cortar a acção (o que não faz muito sentido num pote tão grande) e, erradamente, na altura decidi shovar. Ele acabou por foldar dizendo que tinha ases. Havia ainda 23k que poderiam ser explorados.

Acabaria por eliminar ainda este senhor com um lucky turn que me deu um trio. E com mais uns potes menores, andei perto das 100k.

Acabei por perder alguns potes contra um jogador muito fraco que teve 2 suckouts e me colocou nos 70k.

Confiança

Não foi mau para um dia com 0 AA, 0 KK, 0 QQ, 0 AK e nenhum set. Mas compensado com 3 nuts no flop. Vamos ver como corre agora, aquilo já começou… inté

PS – Vou usar menos o facebook pq me distraiu um bocado ontem. Até já

22 Mar 2010

Ilusão e memória selectiva

Posted by Tomé Moreira. 1 Comment

No último post referi que o poker é um jogo simples e fácil de aprender. De facto, penso que em menos de meia hora consigo explicar as regras a quem nunca tenha jogado. Mas o poker tem ainda, como característica, algo muito próprio. Para quem aprendeu as regras e joga há pouco tempo, é natural a sensação de evolução rápida e, de facto, está a aprender algo novo a cada mão que passa. Essa sensação é de tal forma vincada que pode surgir mesmo alguma euforia juntamente com um falso sentimento de domínio do jogo.  Isto não se traduz necessariamente em qualquer tipo de ganho e aliás, o sentimento referido poderia até ser desafiado quando os resultados não correspodem às expectativas, mas isso nem sempre acontece. A razão é que, consciente ou inconscientemente, tenderemos a atribuir os nossos insucessos à falta de sorte.

Quem tem sorte num torneio?

Este parágrafo inicial deverá ter sido algo confuso para alguns, mas vou ilustrar com um exemplo e penso que tudo se esclarecerá. Imaginemos um torneio em que participam algumas centenas de jogadores. Uns perdem cedo e dentro de esse grupo alguns caem em situações em que estão atrás, mas que consideram que não puderam largar as mãos. Outros porém, partem de situações em que estavam à frente, mas acabaram por perder. Todo este grupo foi manifestamente bafejado pelo azar.

Agora, atentemos aos jogadores que não perdem cedo. Estes, por sorte ou mérito melhoram as suas “stacks” (quantidade de fichas) até que, eventualmente, acabam por perder por uma das situações referidas ao primeiro grupo. Podem até ter tido algumas situações em que a sorte esteve do seu lado, mas apenas recordarão as situações mais marcantes e essas referir-se-ão às situações em que tiveram azar. Resultado final, a esmagadora maioria dos jogadores do nosso torneio juram a pés juntos que tiveram um azar tremendo. Até posso ir mais além e referir que, salvo raras e saudáveis excepções, todos tiveram azar no torneio, tirando o vencedor. A responsabilidade deste efeito tem um nome. Chama-se memória selectiva.

Perigos da memória selectiva

A memória selectiva tem o condão de nos equilibrar emocionalmente a curto prazo bloqueando as expeiências mais penosas. No entanto, a médio/longo prazo, as consequências podem ser bastante más.

Voltando ao poker, a memória selectiva tem como efeito imediato o facto de impedir uma correcta análise do nosso jogo uma vez que a nossa mente, pura e simplesmente, esqueceu uma série de dados determinantes. Depois, surge um excesso de confiança que irá incapacitar uma avaliação assertiva do nosso valor. Como resultante, ambos os factores serão um entrave à evolução do jogador de poker e, sem os devidos cuidados podemos “encalhar” o nosso jogo e incorrer em erros sucessivos.

Um exemplo

Fugindo um pouco à abordagem teórica e ilustrando com um exemplo prático… É comum ouvirmos a clássica queixinha de corredor do “a mim nunca me bate”. Isto aplica-se tanto a flush draws, como a pares, como a outras situações. Mas vejamos uma outra situação bem típica: o “AK”.

Para os mais leigos, AK (Ás Rei) é uma das mãos mais fortes em Poker Hold’em, apenas superada claramente por 2 mãos (AA e KK). Perante todas as outras, estatisticamente, AK tem, pelo menos uma expectativa de ganho próxima dos 50%. No entanto, esta mão é considerada, por vários autores, uma drawing hand, uma vez que, teoricamente, só assumirá um valor relevante, se sair um Ás ou um Rei para a mesa. Resultado, é comum ouvirmos dizer, “perco sempre com AK” e ainda “os meus pares nunca aguentam contra AK”. Dizer isto, por si só, é implicação do que foi referido anteriormente não representa qualquer problema, mas a verdadeira questão surge quando o discurso muda para “eu já nem subo as apostas, já sei que não vai bater…”. E aqui está tudo estragado!

Até podemos ter perdido a últimas 2, 5, 10 ou 50 vezes com AK, mas não é por isso que deixa de ser estatisticamente rentável (num abordagem a longo prazo – a correcta), jogar a mão de um forma mais agressiva.

Já agora, a título de curiosidade e sem pretender baralhar o exposto, AK é até a mão responsável por mais eliminações nos torneios, tipicamente com bons jogadores. Isso tem outra razão e não colide em nada com o que foi dito anteriormente, aliás até reforça porque todos os bons jogadores conhecem a necessidade de jogar AK agressivamente. Simplesmente, a mão não vai ganhar sempre.

Como evitar a memória selectiva

Com a prática, vamos aprendendo a “domar” a selectividade da nossa memória e a assurmirmos análises bem mais realistas. Mas, mesmo para os menos preparados existem bons remédios. No poker online, há já uma grande quantidade de programas que constroem bases de dados com todas as nossas jogadas e permitem análises detalhadas das mais diversas situações. É mesmo aconselhável começarmos por adquirir algo do género. Cuidado que alguns estão mais preparados para algumas disciplinas e descuram outras. Curiosamente, uma das mais recentes novidades destes softwares é um indicador chamado “EV” que mostra se estamos a obter resultados acima ou abaixo do esperado :-)

Relativamente a jogo offline, as coisas são mais complicadas, mas uma boa prática será utilizar um bloquinho de notas e ir apontando. No final do torneio, poderemos analisar e até discutir com os amigos as diferentes jogadas e tirar conclusões sensatas.

22 Mar 2010

Novidades

Posted by Tomé Moreira. 1 Comment

Pela primeira vez, vou ter um pequeno atraso na colocação de um post.

A razão disto é que, neste fim de semana, tive umas datas pessoais a celebrar e dediquei estes dias a outros assuntos. Ontem, domingo, tive também a viagem para a Áustria, onde estou neste momento para jogar mais um EPT. Mas a maior razão para o atraso deve-se ao facto de ter andado a planear novas coisas para o blog e, de alguma forma, queria colocá-las antes do post, mas não foi possível.

Poderão já ter reparado no novo separador com resultados dos EPTs. Aquilo é ainda, apenas um teste e não está bem, pelo que sofrerá melhorias em breve. Mas a grande melhoria que quero implementar é outra.

Algumas pessoas têm-me abordado, tanto nos comentários, como pelo facebook, skype, msn e mail e eu não tenho respondido a todos. Relativamente aos comentários, decidi logo no início que não iria responder a ninguém nos comentários, porque entendo que o espaço é mesmo apenas para comentários de outros e não para eu estar a responder aos mesmos. Por isso, em breve, irei colocar um espaço em que se possam colocar sugestões e perguntas e eu possa responder. Peço desde já desculpa pelas perguntas feitas nos comentários que ficaram sem resposta, mas todos serão respondidos em breve.

Outros separadores estão também pensados para breve: um separador com os próximos torneios, os ciclos de artigos do blog, pensamentos e ainda outras surpresas.

Bem, satisfações dadas, vou colocar o post em falta (que até já está feito há algum tempo) e vou aproveitar o sol na neve até ao torneio que começa daqui a hora e meia.

Abraço e desejem-me sorte ;-)