6 Apr 2010
O céu é o limite
No último post, relativamente à gestão de banca, referi 2 tipos de abordagens: Os cautelosos e que gostam de explorar jogos de buy-in baixo face à sua banca (“grinders”) e os que se orientam para subidas rápidas arriscando grandes quantidades de dinheiro com o intuito de fazer dinheiro rápido (“shoters”). Apesar de ter dito que cabe a cada um escolher o tipo de gestão que pretende, é inegável que o risco da segunda abordagem é muito maior que a primeira.
A adrenalina de coisas novas
Nos tempos de juventude, são mais ou menos frequentes as trocas de namoradas (namorados) e, por conseguinte, os desgostos amorosos e a necessidade de falar com amigos para aliviar amarguras. Num desabafo deste género com um “mulherengo” amigo de faculdade, ele respondia assim quando eu sugeria que tantos problemas com as meninas teriam de ser também problema dele: “eu sou meio americano nesta questão, pois quando estou bem com uma rapariga, sinto a necessidade de algo novo e passar para o nível seguinte, e quando estou bem no novo nível, preciso de subir novamente até que se atinge um nível em que tudo corre mal!”
Este episódio veio-me recentemente à memória quando um colega do poker me explicava que estava a jogar aquele limite porque no dia anterior tinha entrado completamente em tilt e dado um “shot” no nível seguinte onde acabaria por recuperar as perdas. Vai daí, decidira jogar ainda um nível mais acima porque a estratégia estava a funcionar.
Neste caso, uma boa conversa de uma hora, foi suficiente para recolocar este jovem no caminho certo, mas normalmente, o descontrolo emocional, leva a que as pessoas queiram tudo menos lições de moral.
Então os shots já não são uma abordagem válida?
Uma coisa são os shots devidamente planeados e preparados, outra são shots resultantes de “tilt”.
O poker é um jogo psicológico e é importante sentirmos conforto nos níveis em que jogamos. Claro está que ninguém se sente confortável estando emocionalmente derrotado. Para além disso, quando experimentamos um novo nível, os números são diferentes e é bom que a habituação aos novos valores não seja forçadamente drástica de forma a não se sentir tanto o peso do dinheiro.
O poker é um jogo de paciência e estratégia e por isso, será conveniente conhecer as novas dinâmicas nos novos níveis assim como ter algum conhecimento dos jogadores, algo que só se obtém com observação e preparação prévias.
Shoters em Portugal
Como se sabe, existem imensos clubes de poker por este país fora. Alguns deles, em jeito de brincadeira, gostam de assumir lemas sobre o assunto deste post (por exemplo: o movimento “Vai todo” – bons amigos meus). É também comum, ouvir-se a frase “o céu é o limite” nos torneios se bem que como forma de motivação para chegar o mais longe possível. Estas frases são, normalmente, utilizadas por jogadores completamente cientes destas questões , mas obviamente que, também nesta questão, há casos pouco recomendáveis no nosso país.
Já deve ter dado para perceber que eu sou particularmente cauteloso nestas questões e shots não é algo que eu pratique com frequência. No entanto, não penso que eles sejam algo mau. Fazer um plano e preparar um shot devidamente, pode ser um passo em frente numa carreira. Agora, sem essa preparação, um jogador regular até pode ter sucesso a curto prazo, mas estará condenado ao insucesso porque, o céu é limite, mas os pés têm de estar bem assentes na terra.
Novo ciclo
Este ciclo relativo à “Iniciação ao Poker” está a terminar e foi, definitivamente abstrato e muito teórico. É até possível ter gerado alguma confusão ao utilizar termos que não foram explicados ou por abordar temas sem a necessária profundidade. Por exemplo, no caso deste mesmo post, se optasse por uma análise minimamente prática, deveria ter indicado algumas boas práticas para se fazer as alterações de limites como: fazer a passagem de uma forma gradual, jogando inicialmente poucas mesas para que as diferenças sejam assimiladas e consolidadas passo a passo; criar “stop losses” e fazer análises das mãos assim que estes sejam atingidos; não fazer alterações significativas no estilo de jogo por estarmos a jogar num novo limite (erro bastante comum), etc… Não vou continuar porque haverá oportunidade para voltar a este tema no futuro seguramente.
Coloquei uma “comment box” (como já havia prometido), para que possa responder a eventuais questões e ler sugestões para o blog. Uma das utilidades que podem dar a esta Cbox é sugerindo um novo tema para eu ir abordando em Abril já que ainda não tenho uma ideia bem definida. Fico desde já agradecido.

Olá Tomé,
Acompanho com agrado os teus textos e, felizmente, tenho encontrado pontos de contacto entre a tua linha de pensamento e a minha (tendo este facto sido especialmente evidente neste último artigo).
Como sugestões, acho que terminaste o artigo com algumas bem boas: “indicar boas práticas”.
Para além disso, a minha sugestão (e não sei se vai de encontro ao rumo que pretendes para o blogue) seria de, ocasionalmente, nos presenteares com um vídeo em que exemplificas determinadas situações de jogo, apontando erros comuns nos jogadores fracos para que possamos melhorar.
Pessoalmente, gostava de ver tratados (em vídeo ou em post escrito) temas sobre “como jogar pares baixos”, “posição”, “foldar top pair top kicker”, “foldar ases”, esse tipo de dúvida de jogador principiante.
Um abraço e força nisso.
Calantrao
April 7th, 2010 at 16:06permalink
[...] deu umas luzes.Objectivos no pokerJá aqui ramifiquei 2 formas de abordagem do poker. No post “o céu é o limite”, falei de 2 tipos de jogadores: “grinders” e “shooters”. Eu assumo-me claramente como [...]
Tomé Moreira » Blog Archive » Como ser um “prodígio no poker”
March 10th, 2011 at 03:36permalink