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18 Apr 2010

EPT San Remo

Posted by Tomé Moreira

Terminou a temporada de EPTs para mim. Joguei 8 torneios dos 12 calendarizados tirando o Main Event que não está nos meus planos, talvez para o ano…

San Remo é um dos torneios do circuito mais apetecíveis, não só pela adesão mas, principalmente, pelo field italiano que tem fama de ser dos mais fáceis.

Pois bem, neste torneio, não posso dizer que tenha tido a sorte de ter uma mesa muito acessível. Como referi a certa altura na reportagem do pokerpt, a mesa era mista. Sentei-me no lugar 6 e à minha direita tinha 5 jogadores fortes, os dois primeiros americanos, depois um francês pro, um italiano bom jogador e ainda um outro francês muito agressivo. Imediatamente à minha esquerda, um jogador muito tight e depois 3 jogadores fracos: 2 italianos e o Boris Becker.

Mãos relevantes

Ganhei a primeira mão do dia :-D , mas durante os primeiros dois níveis, a minha stack sofreu bastantes oscilações, ou por bluffs falhados ou projectos que não se concretizaram. No entanto, as variações situaram-se entre os 27k e os 32k, nada de especial. Uma implicação da acção da mesa, foi tornar-me mais cauteloso que o normal e, consequentemente, apertar o range.

No final do nível 2, surgiu a 1ª mão de relevo. Pago, no CO com AJo, um raise para 550 do jogador à minha direita (francês agressivo, algo imprevisível e que já fora apanhado num par de situações a bluffar). A BB (italiano errático e loose) dá call. O flop vem K♦Q♥T♦. Após o check da BB, o francês continua a aposta com 1100. Aqui o melhor movimento é, sem grandes dúvidas, o call de forma a esconder a mão do agressor e a facilitar um movimento da BB. No entanto, a BB desiste e o turn traz um 2♦ a estragar a perfeição da board. Decido apostar 1800 após o check do francês num pote perto dos 4000 (penso que fui pouco competente a escolher o sizing da bet, uma vez que a perigosidade da board pede mais agressividade) e levo call. O river é o A♦ e o rapaz faz lead de 4800. Pondero as minhas hipóteses e, decididamente, a Q♦ poderia estar perfeitamente na minha mão dada a acção anterior. Aliando isto ao facto de o jogador me parecer relativamente atento , decido que é pouco provável estar perante um bluff e desisto mostrando a minha mão. O facto de mostrar a mão tem o objectivo de passar uma imagem de “easy folder” à mesa, principalmente aos menos experientes, facto que tentaria usar no futuro.

No nível 100/200 pouco se passou, tirando duas mãos com AK. Numa dei 3bet e levei o pote e na outra abri e levei 4 calls e fui forçado a fazer check/fold no flop. A próxima mão relevante surge, por isso, no nível 4 (150/300), altura em que a minha stack se situava pelos 24k. O utg+1 (italiano bastante activo com 9k de stack) abre para 650 e eu decido dar apenas call com TT em “middle position”. O italiano referenciado na mão anterior que atingira perto das 60 mil fichas, mas entretanto já tinha andado a distribuir e estava agora algo short (18k), também se junta à festa. O flop vem 7♠5♠2♥ e surge a cbet de 1400 à qual dou apenas call por estar um pouco às escuras sobre a mão do agressor. O italiano do botão pergunta a stack do conterrâneo e decide ir allin recebendo fold do agressor inicial. Aqui o meu primeiro impulso foi dar call, principalmente pelo facto de ele ter perguntado a stack o que sugere um movimento de tentativa de isolamento. Mas depois reflecti um pouco e chego à conclusão de que perder este pote será um duro golpe nas minhas aspirações no torneio e que, mesmo aquele jogador só pode ter set, 2 pares ou um draw combinado (mais provável). Decido que não vale a pena o risco, apesar de ter 80% de certezas de que estou perante uma corrida e convenço o rapaz a mostrar a mão para me certificar da minha leitura. Ele mostra 9♠6♠ e eu mostro também a minha mão que indica aos mais atentos da mesa que o meu range para 3bet em “middle pos” é JJ+, AK.

Atinjo o 2º intervalo do dia com 21k e um pouco desanimado. Com 3 jogadores sitout, tento roubar a 1ª mão, mas um dos americanos paga tanto o raise como a cbet no flop e, ao desistir, caio para os 18k. Aqui decidi que era altura para mudar para o plano B e jogar mais “TC style”, ou seja, muito activo, arriscando mais, uma vez que a minha stack começava a entrar em terrenos pouco confortáveis. Um dos americanos raisa e dou call na BB com K7s. A board traz “open ended” e “flush draw” e ganho o pote em check/raise no flop. Mão seguinte, KK na SB e o outro americano raise e decido-me apenas pelo call porque ele tendia a foldar 3bets muito light e no flop tinha dado sempre cbet. A mesma linha de check/raise no flop e levo mais um pote. Aproveito ainda mais 2 spots late postion para roubar e dar cbets e rapidamente estou próximo da stack inicial. Respiro melhor até que cometo o que considero ser o meu único erro no torneio na seguinte mão:

AKo, EP e raise para 800. Levo com 5 calls. O flop tráz T75 (tudo espadas) e eu tenho o Ás de espadas. Fold até mim e lembro-me de ter a brilhante ideia de que a melhor forma de esconder a mão é bet e mando 2.5k  para o meio (duhh!?). Fold até à SB que é o francês agressivo que faz raise allin. Peço contagem, mas logo depois precipito-me com um call ao avaliar a sua stack em pouco mais de 10k. Afinal a stack dele era de 14.800 e a mão é 9s8s o que reduz os meus inicialmente 9 expectáveis outs para 5 fazendo do meu movimento um mau call. 11k!

Logo em seguida, sou bem sucedido com um roubo e passadas mais algumas mãos dou call na BB a um jogador novo que estava no lugar do Becker que havia sido entretanto eliminado com J♠8♠. O flop é Q♠T♠X e ganho o pote mais um vez em check/raise. Estou agora na sb com 15k na última mão do nível 5 e o mesmo jogador volta a raisar o que me indiciou uma mão forte. Há um call e eu sigo o exemplo com 99. O flop é 9♠6♠4♠ dando-me top set. Induzindo fraqueza, repito novamente o movimento de check/raise, mas desta levo reraise allin e respondo de pronto com call vendo A♠A♣ na mão do adversário. Uma espada no turn deixa-me apenas com a possibilidade de um redraw de 10 outs que não se concretiza e acabou o meu torneio.

Resumindo

E terminou a época 2009/2010 dos EPTs com um saldo de um 11º lugar em Vilamoura e um 15º em Varsóvia em 8 participações. 6 presenças no dia 2. Um saldo que não me satisfaz porque o objectivo era uma presença numa final table, algo que não foi possível mas que esteve muito próximo de acontecer, principalmente em Vilamoura. Será um objectivo a perseguir para o ano. O ponto mais positivo da participação neste circuito foi a experiência que adquiri. Sinto-me muito melhor preparado para enfrentar este tipo de torneios, mas reconheço o grande valor de algumas dezenas de jogadores do circuito que fazem estes torneios muito duros. Mas agora é tempo de balanços e descanso. O próximo grande desafio serão as World Series em Junho/Julho. Até lá, vou andar a jogar o que houver em Portugal.

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3 Responses to “EPT San Remo”

  1. GG Tomé. Em 8 torneios conseguir 6 dias 2 e por duas dessas vezes ficar top 15 é muito bom. Na próxima época vem a mesa final. Gl nas mesas

     

    Ricardo Pereira

  2. Bom post tome.

    bem elucidativo do que se passou por san remo.

    sem dúvida uma season interessante, mas que te deixa agua na boca, pois es capaz de bem mais.

    grande abraço e GL por vegas

    MOLICEIROS

     

    Moliceiros

  3. great post as usual!

     

    MarkSpizer

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