7 Oct 2011
EPT Londres 2011
Terminou ontem o EPT de Londres. Apesar de ainda me faltarem resumos de outros torneios, vou já publicar esta, mesmo antes de ir para Espinho jogar o PPS.
Londres goza da fama de receber uma das etapas do EPT com o field mais duro, mas, na verdade, possibilitou-me jogar em 2 mesas bastantes acessíveis. No entanto, e como já é hábito, o meu EPT acabou por correr mal nesta cidade que até me é favorável noutros torneios.
Dia 1
Uma mesa muito heterogénea com estilos muito diversificados:
- à minha esquerda, o jogador mais errático da mesa, extremamente “loose” e calling station;
- à esquerda desse mesmo jogador, um nórdico que jogava de uma forma extremamente passiva pós-flop, ainda assim, não era dos piores;
- à direita, um team pokerstars PRO belga (um dos gémeos), que jogou tudo até perder metade da stack e, a partir daí, não se viu mais;
- Posições 1, 2 e 5, competentes. O primeiro sem grandes leaks a explorar, o segundo abria para 3 a 4 bbs e jogou 4 a 5 mãos em 8 horas. O terceiro era verdadeiramente bom, mas acabou por levar um cooler do jogador da minha esquerda e foi substituído pelo Michel Datanni que dispensa apresentações;
- Posições 3 e 4, jogadores loose que apostavam frequentemente overbets. O 3 (italiano) bem pior que o 4 (asiático).
Após a fotografia, tentei adaptar-me à mesa e no primeiro intervalo, após uma estratégia algo loose e sempre castigando os calls do jogador à minha esquerda, já contava 37 mil fichas. No segundo nível, dá-se a seguinte mão: o nórdico abre UTG para 400 e há 3 calls nas posições 1, 3 e 5 (se não me engano). Estou na SB com QQ e fico na dúvida entre o call e o raise, acabo por decidir pela última opção subindo para 1550 e levo call apenas do UTG. O flop vem 953hh e recebo call a 2225 fichas. Turn Jc e é check/check. River: 2s e levo call a 6500 e perco para KK.
Logo em seguida, numa mão de limps, sou pago em 3 streets quando tenho 33 numa board de A93… J… 5 pelo AJ da posição 4.
A minha stack manteve-se estável 4 níveis com pequenas oscilações entre os 35 e os 45 mil, mas no 7º nível do dia (250/500) as coisas começaram a correr mal quando falhei tudo e caí para próximo da stack inicial. Terminei o dia nas 33.700.
Dia 2
Londres é um torneio de 6 dias, o que diminui o número de níveis em cada dia. Por isso, passar o dia 2, não é uma tarefa tão complicada como noutros torneios.
Cheguei ligeiramente atrasado a uma mesa acessível. Logo nas primeiras mãos, vi KK. Abri (1800) e levei 3-bet de um jogador desconhecido imediatamente à minha esquerda (5450), paguei. O flop foi Q9xcc e o adversário desistiu perante o meu check/mini-raise. Comentando esta jogada, a ideia é tentar extrair o máximo e a linha não é má perante aquele flop, mas liderar o flop talvez possua uma expectativa média ligeiramente superior.
Tenho agora 48 mil fichas (60bbs) que me possibilitam fazer set farming e tentar jogar alguns flops. Falhei tudo: vários pares, mas nada; broadways, mas o flop e a acção faziam-me sempre desistir rapidamente das mãos. Fui baixando consistentemente até abaixo da stack inicial.
Nesta altura, 90% dos flops eram ganhos por um jogador que estava numa run verdadeiramente incrível. Quaisquer duas serviam, eliminou 3 ou 4 jogadores com mãos como 23, 24, ou 48 em que a board proporcionava sempre pelo menos 2 pares. Na primeira mão do 10º nível dobro após o meu KJ bater KT de um jogador num flop KQx e subo às 56 mil fichas.
A mesa continua sobre a batuta do senhor “hot run” que ganha um mega pote ao Barry Greenstain ao transformar o seu bottom pair num trio no river e está acima das 300 mil. Estranhamente, quando tinha premiums, decidia fazer check/call até ao river o que se verificou 2 vezes com AA e outras 2 com KK só num nível! Parecia fazer sempre o contrário do óbvio, mas a estratégia dava frutos.
Mão final
Faltam 2 minutos para acabar o nível 500/1000 e após pagar várias apostas do referido senhor, estou nas 35 mil fichas e decido arriscar num spot em que, mais uma vez ele abre para 2500, há 4 calls e eu estou na SB com AT. Sei que os calls não serão mãos aleatórias, mas sente-se a vontade da mesa em jogar com o senhor. Senti que aquilo podia correr mal, mas o spot era demasiado apetecível. Subi para 11500 e o nosso herói dá call. Todos os restantes foldam. O destino da mão está traçado porque, com 35 mil fichas no pote, as minhas 23 mil já têm destino independentemente do que o dealer virar. As cartas são 884 e ele paga de pronto com KK. Um K no turn acabou com a história. Ainda deu para ir fazer a volta a Londres em bicicleta…

Definitivamente entrar no pote a matar com mãos não muito fortes e levar a melhor várias vezes é ter uma sorte desgraçada… E logo por azar tinha que ter KK na mão que te eliminou…
Para a próxima corre melhor…
Força
Fábio Braz
October 8th, 2011 at 21:27permalink