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17 Mar 2010

Poker + Sol = Betfair Poker LIVE! Ibiza

Posted by Tomé Moreira. 3 Comments

Excepcionalmente, fora da sequência de posts, deixo aqui informações sobre o novo evento da Betfair.

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A Betfair Poker quer levar-te à capital mundial do divertimento: Ibiza. Conhecida mundialmente pelas actividade nocturna, Ibiza é também uma ilha fantástica, com mais de 50 praias impressionantes.

Esta ilha mágica acorda com o início do Verão e é por isso que queremos levar-te a Ibiza entre 4 e 6 de Junho para teres o melhor poker weekend da tua vida. O primeiro fim-de-semana de Junho é a altura perfeita para visitar Ibiza e aproveitar o sol e as melhores festas. Vem ao Betfair Poker LIVE! Ibiza e não te vais arrepender !

Vais encontrar os melhores bares e discotecas e DJ´s de todo o mundo, mas Ibiza não é só música. Neste fim-de-semana têm lugar as festas de abertura das melhores discotecas e o ambiente em toda a ilha é i-nes-que-cí-vel !

Vamos garantir dois pacotes de 1700$ por semana, que incluem:

850$ – Buy in do evento

850$ – Despesas de viagem e alojamento

Acesso gratuito à discoteca Pacha na Sexta-feira e no Sábado

Acesso gratuito à closing party de Domingo do Ushuaia Beach Club

Acesso  ao Betfair Poker Corner, massagens e bebidas para os qualifiers Betfair no casino.

Os satélites finais com buyin de 110$ têm lugar nas seguintes datas:

13 de Março (Sábado , com 2x$1.7k GTD)

  1. 20 de Março (Sábado , com 2x$1.7k GTD)
  2. 27 de Março (Sábado , com 2x$1.7k GTD)
  3. 3 de Abril  (Sábado , com 2x$1.7k GTD)
  4. 11 de Abril  (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  5. 18 de Abril  (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  6. 25 de Abril  (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  7. 2 de Abril  (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  8. 9 de Abril  (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  9. 16 de Maio (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  10. 23 de Maio (Domingo, com 2×1.7k GTD)
  11. 30 de Maio (Domingo, com 2×1.7k GTD)

O torneio disputa-se de 4 a 6 de Junho de 2010 no novo Casino Ibiza, com direcção da TK Events e tem um buyin directo no Casino de 650€.

(o calendário completo dos eventos será publicado em breve)

Hotéis recomendados:

Hotel: Ibiza Gran Hotel*****

Preços por noite, por pessoa para o periodo de 2 a 6 de Junho de 2010

Junior Suite single, bed and breakfast: €231,75
Junior Suite double, bed and breakfast: €292,50

Hotel Ocean Drive****

Preços por noite, por pessoa para o periodo de 3 a 6 de Junho de 2010

DELUXE Suites com vista de mar (2 quartos e 1 Smart cabriolet incluídos), €382,50

Double DELUXE com vista de mar  €247,50

Single DELUXE €105

Hotel:  Hotel Argos ****

Preços por noite, por pessoa para o mês de Junho de 2010

Double ou single room: €69,00


Boa sorte !

Podem confirmar o calendário completo dos satélites aqui.

12 Mar 2010

Onde começar

Posted by Tomé Moreira. 4 Comments

Ok, decidi tentar a minha sorte no poker online, e agora para onde vou jogar?

Este pode ser um dos primeiros dilemas com que te podes confrontar. Existem inúmeras salas de poker, todas elas te aliciam com promoções fantásticas: bons freerolls, bónus nos primeiros depósitos, etc. Em primeiro lugar, convém que te informes convenientemente de todas as condições para o registo e esclareças eventuais dúvidas para não surgirem surpresas indesejáveis. Depois, e porque o poker deverá, no seu início, ser encarado como um divertimento (o que não colide em nada com a necessidade de trabalho já referida na semana passada), aconselho a que, antes de partir para a escolha definitiva da sala e depositares lá o teu dinheiro, te familiarizes com o software para confirmar questões de velocidade de jogo e a própria jogabilidade em si. Depois, convém atentar noutras questões relevantes como sendo o nível de competição (se é fácil ou não ganhar dinheiro), o nível de serviço do suporte e também a oferta de jogos. Na semana passada referi a existência de vários tipos de vertentes e disciplinas de jogo e, dependendo do nosso interesse, alguns softwares adequar-se-ão mais, ou menos. Relativamente à questão da fiabilidade, nem sequer me vou alongar no tema. Apenas dizer que todas as salas são 100% fiáveis e seguras. Se houver um único problema com um pagamento, isso pode significar o fim da sala de jogo e a destruição do negócio, para não falar das questões legais e as salas sabem-no bem.

Como avaliar as salas?

Pois, não é pelo facto de terem experimentado o software que vão ter uma boa boa ideia do seu valor, até porque… estão a começar. A boa notícia é que existem inúmeros sites e fórums que têm o trabalho todo feito. Avaliam, testam e apresentam uma enorme panóplia de pontuações, classificação e rankings que estabelecem boas comparações entre a oferta. Na realidade, até poderá ser um bom ponto de partida. Basta fazer umas pesquisas e vão ficar admirados com a quantidade de sites deste género que vão encontrar. Tenham apenas em atenção que muitos destes sites têm parcerias com salas de poker e, naturalmente, estas são as primeiras do ranking. Por isso percam algum tempo a pesquisar. Uma última nota para referir que existem algumas redes de salas. Dentro de cada rede, existem inúmeras salas que partilham o mesmo software. Por vezes, pode até parecer que não, mas apenas muda o “skin”, isto é, a decoração. Por isso, se se decidirem por uma sala por uma questão mais de estética e/ou gosto, validem se é um software independente ou se pertence a uma rede. No caso da última hipótese, revejam rapidamente as restantes salas do mesmo software para se certificarem de que não existe nenhuma com melhores condições.

Gráficos soberbos

Como referi, hoje em dia, existe uma panóplia enorme de ofertas. Existem até softwares em que os gráficos são apresentados em 3D e se pode comandar as acções do nosso “boneco” tal como: levantar-se, falar, simular tiques, fazer truques com as fichas e até atirar coisas aos outros. Relativamente a estas salas, apenas as recomendo se o fim da prática do poker for simplesmente o divertimento ou então por pura curiosidade. Facilmente se perceberá que tanta distracção acabará por tirar a concentração necessária. Para além disso, a acção, nestas salas, é excessivamente lenta o que reduz o número de mãos que se joga e, por conseguinte, aumenta o factor sorte. A boa notícia é que, tipicamente, nestas salas, joga-se muito mal.

A minha experiência

Também eu já passei pela comum fase em que tentava “secar” bónus e, por isso, já experimentei várias salas no meu percurso. Em todas elas encontrei prós e contras. Todos os softwares necessitam de um período de adaptação aos gráficos, aos botões e à dinâmica e a pouca familiaridade com o software poderá reduzir a eficácia. Por isso, recomendo que, aquando da escolha do software, se considere uma perspectiva de médio/longo prazo.

Provavelmente o que vou dizer a seguir será associado ao meu patrocínio, mas, na verdade, o melhor software de poker que conheço é, sem dúvida, a Betfair. As razões são as seguintes:

- o software mais rápido que conheço que permite um jogo fluído e veloz, com excelente jogabilidade;

- interface limpa e sem distracções desnecessárias;

- competição muito soft em todas as disciplinas de jogo e em vários limites o que permite a jogadores iniciantes rapidamente se tornarem ganhadores (isto deve-se ao facto de a Betfair ser também uma das maiores casas de apostas do mundo o que traz vários jogadores mal preparados).

A Betfair é bastante diferente dos outros softwares e poder-se-á estranhar no início, mas rapidamente se entranha. As pessoas que conheço que jogam lá, não pretendem sair porque consideram isso um grande retrocesso.

Início na Betfair e promoção fantástica

Neste momento, a Betfair apresenta das melhores condições do mercado para os iniciantes:

- A Betfair oferece rakeback deals (devoluções das comissões, ou seja, lucros da casa gerados por nós) na ordem dos 40% para quem gerar mais de 1500£ mensais e 30% para os restantes. Os pagamentos são quinzenais;

- welcome bónus até 1500$, com opção de escolha de escolha de mais 2 patamares de 50$ e 500$ que são mais acessíveis para “limpar”;

- A Betfair promove eventos ao vivo e permite aos jogadores promoções que facilitam a presença nestes torneios (Tallin e Ibiza são os próximos, os BPPT são o circuito nacional privado da Betfair);

- A Betfair iniciou, na semana passada, uma excelente promoção que irá levar vários jogadores ao Main Event das WSOP (maior torneio mundial em Las Vegas). Para terem acesso ao um pacote de 14.000$ (inclui, buyin no torneio, viagem e alojamento de luxo), basta fazer 450.000 Betfair points até 31 de Maio. E isto é acessível a um jogador regular.

Resumo

Existem imensos factores a ter em conta na decisão da sala a escolher. Cada um deverá fazer o trabalho de casa e este artigo apenas pretende alertar para algumas coisas a considerar. A Betfair poderá ser uma opção e é a minha preferida. Já sabem, umas investigações primeiro e depois a decisão é vossa. De resto… boa sorte nas mesas ;)

5 Mar 2010

Como iniciar uma carreira no poker

Posted by Tomé Moreira. 6 Comments

“An easy game to learn, an entire life to master”

É frequente lermos este chavão como explicação para a complexidade que o poker pode assumir. No entanto, mesmo jogadores experientes que sempre concordaram com a frase, acabam por descurar o verdadeiro sentido da mesma. O poker é um jogo de informação incompleta, um jogo extremamente dinâmico em que é necessária uma evolução contínua e um ajuste permanente aos novos estilos de jogo. De facto, quanto mais jogo, mais me dou conta da necessidade de evolução e mais convencido fico da genialidade da frase mencionada.

Novo ciclo no blog

Os artigos de Fevereiro foram orientados para a relação do poker com a sociedade e para as suas recíprocas influências. Era minha intenção continuar esse ciclo e até já tinha algum artigos pensados para dar o devido seguimento. Mas, para evitar entrar em monotonia, decidi fazer uma alteração e dedicar Março a algo mais prático. Os posts deste mês terão como objectivo responder a várias solicitações que me têm sido feitas ultimamente: “também quero jogar poker, como devo começar?”, “qual a modalidade mais rentável?”, quanto dinheiro é necessário para investir?”.

Quem pode jogar poker

Grosso modo, não existe qualquer tipo de limitação. A ideia de que o poker requer um certo nível de inteligência, não me parece de todo verdadeira. As competências a nível da matemática são simples e acessíveis a praticamente toda a gente e o desenvolvimento da capacidade de leitura dos oponentes está longe de ser exclusividade dos psicólogos. Mas isso não significa necessariamente que eu recomende o poker a toda a gente. A bem da verdade eu não proponho o poker a ninguém, assim como não proponho a alguém que seja carpinteiro, informático ou professor. É tudo uma questão de escolha. Ressalvo aqui um excepção para pessoas que têm problemas emotivos ou de compulsividade, a esses recomendo vivamente que não se iniciem nestas andanças.

Resumindo, eu quero chegar é à ideia de que o poker é acessível a toda a gente, apesar da sua compexidade. A aparente paradoxalidade da ideia, será esbatida neste e nos próprios posts. Para se jogar poker a receita é simples e é composta apenas de 2 ingredientes: gosto e muita dedicação.

O que preciso de saber antes de começar

Em primeiro lugar, é de vital importância tomar consciência do que se trata o poker na realidade. Na verdade, a ideia que passa para a maioria das pessoas é falsa. Muita gente conhece o poker de hollywood ou dos programas de televisão e, é magnífico vermos alguém com poker na mão e ser batido pelo straight flush do James Bond. Na verdade, esse tipo de mãos, apesar de possíveis e reais, acontecem 1 ou 2 num milhão e, portanto, estão muito longe de ser uma fiel representação do jogo. Também nos recentes programas televisivos, as mãos que passam são muito seleccionadas e dão uma imagem do poker que não é a verdadeira. Em muitos casos, a mão que vimos na televisão foi precedida de 2 horas de verdadeiro jogo aborrecido em que não se passou nada. E o poker é muito isso, um jogo de paciência.

Tenho tido a oportunidade de orientar algumas pessoas nos seus inícios e uma das coisas que mais encorajo é a começar pela disciplina. Só depois de se tornar disciplinado é que um jogador deve aperfeiçoar outras competências como a agressividade e a capacidade de leitura dos adversários, por exemplo. As razões são simples. Primeiro, ser disciplinado é normalmente suficiente para um jogador ser ganhador nos micro limites onde se começa e depois, desenvolvida a característica da disciplina, vai permitir afastar alguns dos vícios mais perigosos que surgem no poker. É preferível perder uma ocasião para fazer um bom bluff no início do que fazer bluffs a mais no futuro.

Que investimento é necessário para começar e o que devo jogar

Na verdade, para se começar a jogar e ter a possibilidade de ganhar dinheiro nem é preciso qualquer investimento. No poker online, todas as casas disponibilizam torneios denominados “freerolls” em que, a troco do registo no site e como contrapartida de receber algum spam publicitário, é possível ganhar prémios em dinheiro real sem qualquer tipo de investimento. Há freerolls que distribuem 50$ e outros que distribuem 10.000$ em prémios. Obviamente, que quanto maiores são os prémios, maior a adesão e mais complicado se torna ganhar um dos prémios.

Contudo, se o objectivo é ser-se bem sucedido como jogador de poker, desaconselho os freerolls. A primeira razão é que, como ninguém investe qualquer dinheiro nos freerolls e há gente que passa o dia a jogá-los, o nível de jogo desce de tal forma que em vez de poker se joga a algo mais parecido com roleta. E esse não é um bom começo para ninguém. Outra razão tem a ver com a disciplina de jogo. Na modalidade do texas holdem, que é da que estou a falar, existem 3 tipos de jogos: Cash games, Sit and Go’s e MTT’s (Multi Table Tournments). Os freerolls inserem-se na última categoria e os MTTs é, de longe, onde é mais difícil ser consistente nos ganhos, porque, numa mão de cash, por exemplo, perder uma mão, por maior que seja o impacto, tem uma consequência relativa no resultado final da sessão, perder uma mão num MTT significa, muitas vezes, o fim desse MTT. A resultante disso é que muitos jogadores de MTTs têm longos períodos de variância negativa e isso, para quem está a começar, pode não ser encorajador. Por fim, a última razão para não começar pelos freerolls é que o poker é, indubitavelmente, um jogo a dinheiro e é bom sentir esse peso desde o início.

Relativamente ao investimento, defendo que se deva começar por encarar o poker como qualquer outro hobbie. Ninguém fica afectado por gastar 25 euros numa discoteca ou num jogo de futebol e o poker deve seguir o mesmo princípio. O que é necessário é definir um valor para um período de tempo (digamos, 20 euros para 2 meses, por exemplo) e definir um plano. Se precisarem de ajuda aqui, podem dizer, mas o essencial é definir o plano e levá-lo à risca, sem desvios.

E depois? Depois é escolher o tipo de jogo, começar bem por baixo, ler muito, muito, muito… e jogar. Existem inúmeros livros e fórums que disponibilizam ajuda completamente gratuita. Existem imensos softwares que nos ajudarão na nossa evolução. É uma questão de informação, trabalho e muitas horinhas de jogo porque há coisas que só a experiência pode dar.

Vou ser ganhador?

Hoje em dia, o poker está muito competitivo. Em 2004, quando comecei, alguns softwares apenas permitiam jogar numa mesa. Muitos dos jogadores eram apenas curiosos e tornava-se relativamente fácil explorar esses jogos. Hoje as coisas são diferentes, mas a grande maioria dos jogadores continua a não se preparar convenientemente pelo que, os melhores tornam-se grandes ganhadores. É tudo uma questão de trabalho… do duro… E ser bom tá ao alcance de toda a gente.

26 Feb 2010

O poker e a felicidade

Posted by Tomé Moreira. 4 Comments

Depois de tanto se falar sobre os malefícios do poker, é altura de responder a tanta carga negativa e olhar para o outro lado. Há dias, em conversa com um amigo, ele perguntava o que eu diria se fosse entrevistado pelos repórteres da SIC. Respondi que poderia falar dos meus métodos ou, em termos pessoais, dar o meu testemunho. Decidi, então, personalizar este post, até porque muitos se deverão reconhecer em alguns aspectos da minha experiência de vida, aliando por fim uma perspectiva com aproximação o mais científica possível.

O que é a felicidade?

A minha educação foi tradicional. Como a grande maioria dos jovens deste país, fui orientado para uma vida fundamentada nos valores do trabalho e da honestidade e com os objectivos de tirar boas notas para me tornar num profissional bem sucedido e ascender ao topo da carreira, casar-me e ter filhos. Cristamente, devemos também ajudar o próximo sempre que possível. Esta é a receita que a nossa sociedade recomenda para atingirmos a felicidade e tudo o que se desvie deste padrão não é bom. As pessoas são impelidas a seguir este modelo de sucesso e formatadas para comportamentos com vista a um fim comum. Tornamo-nos, quase como fantoches manipulados e coagidos a realizar acções socialmente pré-determinadas e esquecemo-nos basicamente daquilo que, na essência, nos distingue como seres inteligentes. Esquecemo-nos de pensar!

O meu percurso

Há um ano, era algumas vezes questionado sobre a possibilidade de me tornar profissional. Ao mesmo tempo que respondia que isso não estava nos meus planos, pensava para comigo que tal nunca iria acontecer. O poker não é algo socialmente bem aceite e isso, por si só, era argumento suficiente para descartar a possibilidade. Mas no fundo, reservava a secreta esperança de um dia mais tarde, ter tempo para me dedicar, por um período de tempo, por inteiro a uma actividade de que gostava, de ter tempo para planear o que jogar e fazê-lo bem, de ir a torneios ao vivo, aliando o poker à paixão de conhecer novas gentes e novos locais. Sem medos nem preconceitos.

De facto, já tinha dado um primeiro passo para levar o poker mais a sério. Estive a trabalhar 7 anos numa empresa e, para o fim, já tinha uma posição de algum relevo, com muita responsabilidade e que me ocupava muito tempo. Para além de andar sempre preocupado e sem tempo, muitas vezes levava trabalho e chatices para casa. Lembrando-me da minha formação e gosto educacional, resolvi dar um passo corajoso e mudar radicalmente a minha vida: larguei a empresa e fui dar aulas. Este passo permitiu aliviar os meus dias e acima de tudo, trouxe-me mais tempo e relaxamento. Mais tempo para a família, para os hobbies e para o poker, mais relaxamento para me dedicar de forma mais compenetrada às sessões. Se já era um jogador ganhador, esta alteração de rotinas mostrou-me claramente que nunca iria ganhar tanto dinheiro em nenhuma profissão como no poker, bastaria eu querer.

A crescente participação nos torneios, mostrou-me o lado saudável do poker. Pessoas completas e realizadas jogavam sem complexos. Fiz amizades e deixei os preconceitos completamente de lado. As circunstâncias acabaram por me conceder o privilégio de me dedicar exclusivamente ao poker desde Setembro. A grande maioria das pessoas com planos para o futuro, vai adiando os seus projectos até ser tarde demais. Eu resolvi que era a altura de  viver a vida em plenitude desde já. Ponderei passar apenas alguns meses na experiência, mas, para já, estou a gostar.

O contributo do poker para a felicidade

Hoje em dia está na moda avaliar os níveis de felicidade e criar receitas para fazer crescer esse barómetro. Existem centenas de livros sobre o assunto. Sinceramente, parece-me uma parvoíce parametrizar algo como o bem-estar e a felicidade, mas, os peritos parecem unânimes em apontar alguns aspectos como essencias: um bom suporte social, liberdade, tempo e aprendizagem parecem ser alguns dos ingredientes para moldar uma vida feliz. Vejamos, de que forma o poker pode contribuir para estes factores:

Rede Social

Neste aspecto, pessoalmente, o poker não me trouxe muito de novo. Nem precisava. Tenho excelentes amigos e de longa data e uma família óptima, mas acima de tudo, tenho em casa, as 2 meninas mais bonitas do mundo. Genericamente, o poker gera comunidades e isso significa conhecer novas pessoas. Logo, novas amizades.

Liberdade

Este parâmetro está normalmente associado também à independência financeira e, para um jogador ganhador, o poker vai ser trazer uma melhoria qualitativa. A quantidade de opções aumenta enormemente no sentido do poder de compra e também na flexibilidade de horários uma vez que nos tornamos patrões de nós próprios, mas diminui noutro porque, uma vez que o jogo não se encontra ainda regulado surgem, eventualmente, algumas limitações.

Tempo

No meu caso, e intrinsecamente ligado ao factor anterior, o poker trouxe uma verdadeira revolução à minha vida. Que bem que sabe poder sair às 3 da tarde com a minha filha até ao parque ou à piscina, fazer compras de manhã ou visitar a família a meio da semana. Decidir quando começar a trabalhar e quando parar. Considero-me verdadeiramente privilegiado neste aspecto porque sei que gozo de algo raro.

Aprendizagem

Segundo os especialistas, as pessoas sentem-se mais felizes quando aprendem algo novo. Pois, nunca li tanto na minha vida como agora e no último ano já saí do país para ir a San Remo, Las Vegas, La Toja, Londres, Varsóvia, Praga, Bahamas, Paris e Deauville. Em cada local tive a oportunidade de viver novas experiências, em alguns deles juntamente com a minha esposa.

Resumindo

Não era minha intenção fazer deste post uma propaganda ao poker, alimentar a ideia de que são só benefícios, passar a ideia de que é um jogo fácil e incentivar à sua prática. Tudo isto é falso obviamente e para se ser bem sucedido, é necessário muito trabalho e dedicação. Existem também vários problemas e dificuldades que podem advir para todos os factores mencionados e que serão depurados noutros posts, mas hoje era dia de falar de felicidade.

Numa altura em que praticamente todos os meus amigos parecem insatisfeitos com as suas vidas profissionais – os que trabalham em empresas só pensam no dia em que mudarão de emprego e os que dão aulas já não podem com a impertinência e má educação dos alunos e estão cansados das mentiras do nosso governo – eu atravesso uma altura de vivência plena da vida e, não há dúvida, o poker teve um contributo inestimável.

19 Feb 2010

O poker e o vício

Posted by Tomé Moreira. 3 Comments

Se algo benéfico surgiu com a reportagem da SIC, foi, indubitavelmente, promover o debate sobre como a sociedade vê o poker. A semana passada foi, por isso, pródiga em discussões sobre o tema entre os membros da comunidade e não só. Confesso que já começo a acusar a monotonia das conversas uma vez que como, publicitei o blog no msn, skype e facebook, recebi muitos feedbacks aos posts, a maioria de pessoas que pouco ou nada têm a ver com o poker. Mas, apesar do relativo cansaço que o tema já provoca, não podia deixar de acrescentar mais umas ideias que me parecem importantes. E não poderia haver melhor altura, do que após um retemperante fim-de-semana prolongado na companhia da família e a desfrutar de um leve e saudável ambiente de amantes do poker no festival de Carnaval, na Figueira da Foz (fica, desde já, prometido um post sobre o tema).

Uma das ideias mais que me surpreendeu, foi a aceitação, mais ou menos comum, sobre o alvo da reportagem e que seria pior fazê-la incidir sobre jogadores bem sucedidos do que pessoas com problemas com o jogo, pelo simples facto de que esta última realidade é a mais abrangente. Na mesma linha, foi-me possível ler posts em blogs de colegas a defender que, de facto, existem bem mais pessoas com problemas com o jogo do que nós julgamos e, por fim, até vi outros a defenderem a sua posição nos fóruns com: “sim, sou viciado e depois? Isso não influencia negativamente a minha vida”.

Em primeiro lugar, não posso concordar que o alvo da reportagem foi bem escolhido. Primeiro, o intuito de uma reportagem destas não é o de prevenir problemas sociais, mas, tão simplesmente, informar. Depois, a reportagem foi feita no PCA, um dos torneios mais caros e reputados do mundo. O jogador do PCA não condiz com a imagem do jogador passada na reportagem. Ali estão os melhores.

Segundo, não posso argumentar sobre a grandeza do fenómeno de pessoas que se desgraçam com o poker. É verdade que ouço falar de casos de pessoas que têm uma gestão do tempo que dedicam ao jogo e da sua banca deficientes e isso, obviamente, vai trazer problemas. (Um aparte para lembrar que será também objectivo deste blog ajudar os leitores neste campo e este tema será abordado muitas vezes). O poker é extraordinariamente exigente e se é preciso disciplina, auto-controlo, motivação, persistência, gestão e equilíbrio em qualquer actividade, no poker vai ser preciso ainda mais. Acredito que quem tentar fazer dinheiro no poker e não estiver completamente ciente deste facto, não tardará a dar-se mal. Por isso, é possível que, quem não conseguir lidar e aprender com o insucesso convenientemente, possa ter problemas. Deve haver muitos, mas, a grande maioria das pessoas que conheço, tentaram levar as coisas a sério e estavam a par dos riscos. Uns deram-se bem, outros nem por isso mas vão lutando, outros ainda, perceberam que estavam no ramo errado. Daí a descontrolarem a vida devido ao poker vai um bom bocado.

Por fim, e é aqui que quero chegar, o uso do termo “viciado”. Mas o que é isto de ser viciado?

vício
(latim vitium, -ii)

s. m.

1. Defeito ou imperfeição.

2. Prática frequente de acto! considerado pecaminoso.

3. Tendência para contrariar a moral estabelecida. = depravação, libertinagem

4. Hábito inveterado. = mania

5. Dependência do consumo de uma substância (ex.: vício do álcool).

6. Erro de ofício.

7. Erro habitual no uso da língua.

8. Mau hábito ou costume que as bestas adquirem.

(Fonte: http://www.priberam.pt)

As definições 1, 6, 7 e 8 parecem-me desenquadradas do contexto, mas vejamos as restantes.

As definições 2 e 3 referem-se à moral e ao pecado e neste campo, a nossa sociedade tem telhados de vidro. Basta atentarmos no que vimos hoje desde que nos levantámos, para perceber que há muita coisa errada na sociedade dos nossos dias. Desde a falta de respeito no trânsito até ao mendigo que nos pediu dinheiro nos semáforos, passando por uma panóplia de notícias tristes nos jornais que vimos nas bancas. Mas, mesmo ignorando isto, será assim tão errado usar dinheiro para ganhar dinheiro? Ou o problema está em usar o dinheiro contra o dinheiro dos outros? Ou o dinheiro devia ser exclusivamente para outros usos? Poderia debater e arranjar paralelos sociais para todas estas questões, mas o post podia parecer quase um livro. De qualquer forma, já dei a conhecer a minha posição.

As definições 4 e 5 referem-se à prática repetida e à dependência. Será fácil de compreender que qualquer profissional tem de se dedicar a fundo na sua área para ser bem sucedido – tirando alguns casos na função pública J. Neste campo, a mania, como é referido, pode encontrar um outro termo em alternativa, paixão. Tenho um tio que tem uma garagem para automóveis e que compra e vende carros e acessórios para os mesmos e é muito bom no que faz. Não conheço ninguém que saiba tanto de carros e quando vou lá a casa, ou está na internet a ver novos modelos de carros ou está a ver televisão a ver um programa de carros ou está a ler uma revista… de carros. A vida dele não faz sentido sem automóveis e é feliz. Adora o que faz e isso traz dinheiro para a família. Que nome dão a isto? Mania? Obsessão? Paixão?

Quanto à dependência, estamos de acordo que o poker não é uma dependência química (álcool e drogas), por isso insere-se numa categoria mais social de onde fazem parte o trabalho e as compras, por exemplo. Cabe a cada um definir as prioridades de forma a que o próprio e os que o rodeiam se possam sentir bem. Se as prioridades não estão equilibradas, temos então um problema. No caso do poker, custa-me a acreditar que a dependência seja o principal problema. Poderei dar como exemplo o meu caso: defino objectivos e raramente os consigo cumprir, sempre por deficit. Ainda ontem fiz um plano para recuperar umas horas de jogo em atraso. Ontem consegui cumprir o plano, mas fiquei tão desgastado que, hoje, tive de desistir do plano passados uns minutos. E isto é recorrente. Analogamente, ouço colegas constantemente a queixarem-se de que cada vez jogam menos e estão saturados.

Rótulo social

O João conseguiu o emprego há relativamente pouco tempo. Teve tanta sorte que conseguiu entrar para os quadros da empresa a fazer exactamente o que mais gosta. Todos os dias acorda, bem cedo, cheio de vontade de fazer o melhor possível. Inicia o dia antes da hora e não se coíbe de sair uma ou duas horas mais tarde. O João é um funcionário exemplar para o patrão… O João está a ficar um workaholic para a esposa porque nem tem tempo para a família.

Mas então o que é ser viciado? Para mim não passa de um rótulo social associado a uma conotação negativa. Da forma de que a sociedade o coloca, para mim, ser viciado numa actividade implica daí advir consequências nefastas para o bem-estar de quem as pratica e isso ter-se-á que aplicar a cada pessoa individualmente e nunca como uma generalização atribuída a uma actividade.

12 Feb 2010

Grande Reportagem – Respostas às respostas

Posted by Tomé Moreira. 15 Comments

Estive a ler com atenção a entrevista do André Antunes na rubrica “Heads Up” do pokerpt.com e considerei que devia fazer um comentário.

Mas em primeiro lugar, gostaria de dar uma palavra a todas as pessoas que leram e comentaram os posts anteriores. Sinto-me deveras honrado por terem dado atenção ao que escrevi. Confesso que fiquei admirado por tantos comentários e completamente pasmado com o número de visitas que a minha página teve nos 2 primeiros dias de vida. Não estava nada a contar e, por isso, muito obrigado a todos!

2 esclarecimentos

Ainda antes de passar à minha análise da entrevista, sinto-me na obrigação de fazer um aparte para salientar 2 pontos:

  1. os repórteres que conheci nas Bahamas pareceram-me excelentes pessoas e adorei falar com eles. Tanto o André como o Fernando mostraram-se amáveis e acessíveis. Outra coisa, tal como o André mencionou no “Heads Up”, era notória a sua preocupação pelo trabalho;
  2. Na sua resposta ao Jomané, o André tem razão. Quando referi, no PokerPT que, “…Numa delas, na praia, tivemos uma longa conversa em que me desmarquei várias vezes desta imagem que estiveram a dar.”, não queria dizer que foi à frente da câmara e de microfone em punho. Nessa ocasião, enquanto a Célia fazia umas tranças, se bebia uma água de coco e íamos à água, falei com eles bastante tempo sobre poker, jornalismo e a responsabilidade de fazer uma reportagem destas. Numa outra ocasião, no aeroporto, falamos sobre a minha experiência e carreira enquanto jogador, mas em nenhuma delas de forma, digamos, “oficial”. Eles não mo propuseram e, obviamente, não me fiz de convidado. Percebi que isto gerou um mal-entendido em algumas pessoas, nomeadamente no Jomané e no Tiago (Addict), mas ainda não tinha tido a oportunidade de esclarecer a questão convenientemente.

A entrevista

Comentando apenas as ideias que me parecem mais pertinentes:

  • Começando pela pergunta que eu coloquei, o André refere na sua resposta que “Acho que a questão da imagem que passa depende de cada um de nós, da nossa forma de ver as coisas e do nosso grau de distanciamento em relação aos acontecimentos”. Posso até aceitar que, nesta questão, me falta distanciamento e “know-how” para avaliar adequadamente a reportagem, mas não me foi difícil assimilar a percepção que a peça gerou na opinião pública: a minha mãe ligou-me a acusar-me de a ter enganado este tempo todo e, imensamente preocupada, sugere que eu procure ajuda rapidamente; os meus amigos menos conhecedores saem-se com uns “afinal, isso não é assim tão saudável” ou “a SIC arrasou com a vossa classe”.
  • O André refere que nós não compreendemos o carácter isento da reportagem porque “nós apenas mostrámos os vários lados de uma realidade que muitas pessoas parecem desconhecer ou simplesmente ignorar”. Bem, eu posso ter uma visão condicionada por estar no meio, mas não me venham com histórias que a peça balanceou os 2 lados. Começo a achar que o André é que não percebeu qual a razão de tanta indignação. Pelo menos no meu caso, não estava a contar que saísse uma promoção ao jogo. Acharia igualmente mau que se passasse uma imagem errada do jogo como “eu tive vários contactos no sentido inverso, ou seja, de pessoas que acham que o poker é dinheiro garantido”. Mas seria razoável que se mostrasse que uma grande parte dos jogadores profissionais que estavam nas Bahamas, trabalham imenso e estudam para terem resultados que lhes permita estar nos melhores torneios e que isso é tudo menos fácil. Que esta modalidade é exigente e que, como em tudo na vida, seja no trabalho, seja no desporto, os bons tendem a sair-se bem e os maus estão condenados ao insucesso.
  • - “Mas olha que daquilo que vi e do que se passa em muitos cafés, bares e outro tipo de casas, o video poker é um fenómeno impressionante (como se percebe naquele armazém da inspecção de jogos). E quem joga aquilo diz que joga poker.”;

- “E assim como há o grande fenómeno do Texas Hold’em em Portugal há também outros associados ao poker num sentido mais geral. E o trabalho era sobre poker.

- “…como há milhares de jogadores de texas hold’em também há milhares de jogadores de video poker, omaha, etc. Quisemos ir ao PCA para ver e mostrar a vertente máxima dos jogadores profissionais

Isto é que é mau! Está-se a misturar alhos com bogalhos, não pode ser. O André sabe bem que “vídeo poker” e poker são coisas completamente distintas e incomparáveis e encontrar argumento na definição da lei não é desculpa, porque a lei trata muitas coisas diferentes de forma igual. Na prática, apesar de ser no sentido inverso, isto não foi muito diferente de começarem a reportagem com uma imagem da sala e dizer: “Bem-vindos ao torneio de vídeo poker das bahamas”. O Cristiano Ronaldo é um excelente jogador de futebol, mas não o ponham num encontro de “Super Bowl” a fazer passes com a mão com uma bola bicuda. E não deixa de ser futebol… americano. (Até me sinto ridículo a escrever isto, enfim…)

  • Sabia que quanto mais se joga maior é a probalidade de perder dinheiro?

E foi preciso fazer um estudo para isso? Tentando ser breve e não indo muito ao fundo da questão, quando se joga poker (seja qual for a vertente, excluindo as máquinas, obviamente), quer seja online ou offline, há sempre uma comissão envolvida. Isso significa que – exceptuando casos particulares de jogadores com bons acordos com as casas – o poker é um jogo de soma negativa. Isso quer dizer que, se um jogador não tiver “edge” sobre os restantes, vai perder a longo prazo. Mas a novidade aqui é que o poker não é só sorte e todos jogam diferentemente, por isso uns vão ganhar e outros vão perder.

Isto só mostra que quem fez o estudo e quem o comenta sabe muito pouco do que está a falar.

  • Relativamente às perguntas do Wade:

Eu disse apenas que no consultório daquele psicólogo especializado em jogo o número estava a crescer e que o um quarto dos pacientes dele já eram de poker online. E que ao jogadores anónimos também estavam a chegar mais pedidos de ajuda (disse isto por outras palavras).

Concordo que o número cresça, é natural que assim seja, uma vez que há meia dúzia de anos não havia poker sequer. A questão aqui é que se o poker já não é bem aceite socialmente, esta parte da peça não vem ajudar em nada. Não tenho dúvidas que o fenómeno do vício do poker (para quem tiver problemas reais com o jogo) é irrelevante quando comparado com outros vícios socialmente bem aceites, como sendo o tabaco ou a bebida. Corre-se o risco de haver interpretações do género: “o poker é o novo flagelo do século XXI e apenas estamos a ver o início do boom” e isto não me parece que seja uma boa interpretação.

  • Não faço ideia onde se perde mais dinheiro, mas acredito que se seja no euromilhões

Basta atentar no seguinte: no euromilhões são distribuídos 50% dos valores investidos, no poker são distribuídos perto de 95%. Mas a televisão faz publicidade ao euromilhões, por isso está tudo bem. Já agora, estive a fazer as contas e a probabilidade de ganhar o euromilhões é de 0,0000013%. Isto deve dar várias vidas a jogar todas as semanas e muitos boletins para se poder ter uma expectativa minimamente razoável.

  • “ E desse ponto de vista, não podia ignorar o facto de haver milhares e milhares de equipamentos que são apreendidos, que são usados indevidamente para sacar dinheiro às pessoas, sem qualquer tipo de controlo, e que estão espalhados em milhares de cafés, bares e outro tipo de casas por todo o país.

A bem da elevação do meu blog, não posso, mas só me apetecia dizer que são estas máquinas e… as chamadas de valor acrescentado da SIC… (ups, já disse!)

Resumindo

Em suma, o André mostrou toda a coragem em dar a cara e tentar esclarecer a comunidade do seu trabalho, e isso é apreciável. No entanto, sou da opinião que as suas respostas acabam por ser fracas desculpas para um trabalho mau, confuso, tendencioso e gerador de conflitos que em nada abona a favor da modalidade que tanto prezamos. E não posso concordar quando diz que “ O que é pena é que muitas vezes, as pessoas só olhem para um lado quando lhe são mostrados vários”, porque aqui claramente se distinguiu um lado, o negativo. No fundo, já não faltavam os existentes, vem-nos trazer ainda mais problemas e o poker português, que está em crescimento, não precisava disto. Por inerência à ética profissional de um jornalista, a última coisa que ele deve ser é um “opinion maker”, mas considero que, neste caso, o André Antunes e a sua equipa foram-no. Este deve ser a acusação mais dura que se pode fazer a um jornalista, mas aqui é, quanto a mim, merecida.

PS – “O programa foi visto por 1.200.000 espectadores, aproxidamante.” – Isto é que me deixa doente…

9 Feb 2010

Grande Reportagem

Posted by Tomé Moreira. 17 Comments

Grande Reportagem – “A Febre do Poker”

Não tinha idealizado um primeiro post como este e tinha algo de muito diferente preparado, mas, infelizmente, as circunstâncias assim o proporcionaram. Passaram 12 horas após a grande reportagem da SIC de ontem e desde essa altura já vi uma telenovela com a minha “mais-que-tudo”, já estive ao telefone a ouvir um sermão da minha mãe, já vi uma reportagem sobre a II Grande Guerra, já fiz uma boa sessão de cash, estive a acompanhar um jogo da NBA e já dormi umas (poucas) horas entre os períodos de assistência à minha bebé doente, mas o sentimento de decepção pelo que vi e ouvi continua o mesmo.

O meu primeiro contacto com a SIC

Sou de uma aldeia da Beira Alta. Uma aldeia de gente simples e humilde que vive o dia pelo dia. Nessa minha pequena, pacata e feliz aldeia vive um rapaz especial, ao qual a natureza não poupou o infortúnio e dotou de uma deficiência profunda caracterizada pela falta de autonomia e uma agressividade excessiva. Esse rapaz, filho de gente humilde e boa, apesar de ter todo o amor e dedicação por parte dos pais, necessita também de cuidados e atenção permanentes, algo que se torna muito complicado para gente que vive do que a terra dá e que resume o seu nível de educação no máximo a um par de anos na escola primária. Por isso, e porque nestas aldeias reina mormente a genuína solidariedade, a população aliou-se aos irmãos do rapaz, aos quais não valeram os esforços para tentar encontrar o local apropriado devido ou à falta de preparação das instituições ou à sua lotação, e chamaram lá a televisão na esperança que isso ajudasse a resolver o drama. Foi nesse contexto que chegou uma equipa de reportagem da SIC à minha terra.

No sentido de proporcionar segurança aos visitantes, o “selvagem” rapaz foi preso, como se pôde, na humilde casa com poucas condições, e o repórter iniciou o seu trabalho. A ideia era de facto passar a imagem de que aquele rapaz não tinha ali as condições que o seu estado específico necessitava, mas o que saiu na peça foi algo que revoltou toda a gente que conhecia a realidade. Sugeriu-se que os humildes idosos, pais do rapaz, praticavam maus tratos através de imagens cuidadosamente escolhidas (como quando a mãe empurrava o filho para que este se afastasse do repórter) e foi filmada a urina no chão para dar um ar mais escandaloso. Completamente desenquadrada do contexto, a peça provocou a indignação das gentes e não foi com surpresa que, passado um par de anos, vi a minha terra a aparecer pela segunda vez na SIC, desta vez quase a agredirem os jornalistas que ali se tinham deslocado por ocasião de um festival de folclore. Este episódio aconteceu nos inícios da estação de televisão e passou muito tempo, mas a memória das pessoas não é curta e é bom que quando a SIC quiser lá voltar, prepare bem o terreno.

Má intenção

Este episódio surgiu-me à lembrança após a reportagem de ontem. Tal como nesse caso, estou convencido que os repórteres conheciam a realidade sobre o alvo da peça que montaram, mas passaram uma outra ideia e estou convencido que foram mal intencionados em prol do aumento de audiências. Esta minha opinião é fundamentada nas conversas que mantive com os repórteres durante a minha estadia nas Bahamas. Conheciam vários ângulos do mundo do poker e o repórter de imagem até confessou que se divertia bastante a jogar, mas apenas apresentaram uma perspectiva demasiado negra. Na minha opinião até houve coisas boas na reportagem. Mesmo chamar a atenção para os perigos que o jogo encerra é algo de muito positivo, mas não se pode apresentar apenas o lado negro da questão, isso não me parece jornalismo sério. São também bons exemplos, os testemunhos do Moneymaker e do Negreanu, mas mesmo esses foram adaptados para encaixar na imagem global que se pretendia impingir. Focar a entrevista nos conselhos do Negreanu a aconselhar os jovens a não terem pressa e a aproveitar a vida ou do Chris a dizer que o “field” está muito duro, não deixam de ser bons conselhos, mas não consigo dissociar a imagem subconsciente da linha principal “Bons rapazes, afastem-se do vício do demónio!” .

Não entendo como se pode não focar numa reportagem com pano de fundo um torneio destes, a evolução e o trabalho que a grande maioria dos jogadores tem de ter para lá chegar. Nas conversas que mantive com os repórteres, referi várias vezes que é de vital importância que as pessoas percebam a grande diferença que existe entre o poker e os jogos de casino. A começar pelo simples facto de que no poker jogarmos contra pessoas e não contra o casino. Pelos menos, essas palavras foram mencionadas.

Que grande salgalhada!

Mas para além do mau, houve ainda pior:

- a começar pela grande confusão na definição do jogo metendo no mesmo saco poker e “vídeo poker”. Pior, envolver o poker no mercado clandestino de máquinas de jogo;

- dar um exemplo de uma pessoa viciada em jogos de azar que não entra no casino há 3 anos e relacioná-la com o poker que apenas está legalizado há pouco mais de 2 anos;

- apresentar testemunhos de um psicólogo, supostamente especializado em apoio a pessoas com problemas com o jogo, que parece nem conhecer a diferença entre o poker e os restantes jogos de casino e que praticamente nem fundamenta as suas opiniões;

- apresentar como exemplo genérico de jogador de poker, o Chad Baptista, ex-presidiário e cheio de diamantes, que não passa de um caso muito específico. E com tantos jogadores normais ali disponíveis;

- servir os interesses dos casinos, dando-lhes tempo de antena para manifestarem a sua amargura por não terem uma fatia das receitas do poker online;

- transmitir a ideia generalista de que os pálidos jogadores de poker são sujeitos que se fecham nos quartos e que não aproveitam a vida apenas porque um jogador simplesmente não gosta de praia;

- dizer que apenas 2 dos 10 portugueses identificados não pagaram a entrada o que é falso. Penso que apenas 3 pagaram do seu bolso. Essa pergunta foi-me feita, os repórteres sabiam a verdade;

- passar o testemunho de um suposto ex-jogador que deseja nunca mais cair na tentação de voltar a jogar e ter, perante dele, um ecrã com uma casa de poker online aberta;

- depois de tanto se falar em vício, terminar o programa apelando às pessoas para ligarem para um número de valor acrescentado com o pretexto de poderem ganhar 5 mil euros, é, no mínimo, irónico.

Mau demais

Todos percebemos que o poder da comunicação social é imenso. São capazes de moldar opiniões, por isso a sua responsabilidade é enorme. Para além da gritante falta de profissionalismo, isto vai um pouco mais além, mas vou-me ficar por aqui porque não tenho provas para fundamentar a impressão que tudo isto me dá.

Como disse o Nuno Coelho num fórum, e depois de tanto trabalho nos últimos anos a dar a conhecer o que é o poker, “lá vamos nós começar tudo do zero outra vez”.

9 Feb 2010

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Posted by Tomé Moreira. 2 Comments

Olá, sejam bem-vindos ao meu blog.

Quando alguém me questionava porque é que eu não tinha um blog, eu respondia algo do género: “não estou interessado, obrigado”. De facto, não me aliciava muito ter um espaço em que colocava o meu dia-a-dia do poker, mostrando gráficos e comentando jogadas. Até que, há uns tempos me surgiu a ideia de fazer algo diferente. Decidi não avançar logo para amadurecer o plano, mas a ideia de fundo estava decidida.

Estou constantemente a falar com amigos do poker no skype, msn, nos casinos e em bares e, normalmente, as conversas não são sobre “como é que jogas esta mão”. Normalmente falamos sobre generalidades do poker, de que forma influencia as nossas vidas, como sincronizamos e gerimos a vida familiar e profissional com a sua prática. No fundo, falamos sobre a filosofia do poker e eu adoro o tema porque dedico muito tempo a pensar nestas questões. Alguém disse que “o poker é um microcosmos da vida” e não posso estar mais de acordo. Acredito que para se ter sucesso a médio ou longo prazo é preciso saber estar e, acima de tudo, ajustar os vários aspectos de forma a construir um equilíbrio salutar entre a vida pessoal e o poker, independentemente de querermos evoluir e ser ganhadores ou apenas jogadores recreativos. Então, porque não aproveitar estes pensamentos, reflexões e conselhos que saem destas conversas e colocá-los acessíveis para toda a gente num blog em jeito de artigos de opinião?

Este blog será, portanto, pouco técnico, pelo menos na sua fase inicial. Tenho também outros projectos para o blog, que tenciono realizar em breve, mas que aparecerão a seu tempo. De facto, estou a precipitar o início do blog devido à reportagem de ontem que considero grave e colocarei em seguida o que acho da reportagem. A ideia era fazer ciclos de artigos periódicos, em princípio semanais (ex: o poker e a família, torneios de poker, eu e poker, o poker e a sociedade, etc…), mas pronto, primeiro desvio ao plano J Por isso, o blog/”página pessoal” está ainda numa fase embrionária, mas melhorará em alguns dias. Prometo aplicar-me e escrever regularmente, já tenho tanto na cabeça para escrever…

O objectivo é então partilhar as minhas visões, a minha evolução e também aprender com os vossos contributos. Espero que gostem, que se divirtam e comentem, que certamente ninguém ficará sem resposta. Se conseguir ajudar em algum ponto, uma pessoa que seja, então este projecto será um sucesso.