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4 Apr 2011

O anoitecer do Fairplay

Posted by Tomé Moreira. 9 Comments

E o Porto é campeão!

Há uns anos, nos tempos em que ia ao estádio de 2 em 2 semanas, seria motivo para delírio e estar em grande farra até de manhã. Mas não agora. Na verdade, o desencanto para com o futebol tem vindo a ser crescente e, independentemente do meu gosto por desporto e pelo futebol em particular, o cenário português anda bastante triste.

O jogo de ontem coroou um campeão com mérito, mas o que mais me chamou à atenção foram as simulações, tentativas de agressão e quezílias sem sentido. Isto depois de um já esperado triste espectáculo antes do jogo fora do estádio e, para terminar em beleza, outro dentro do campo. Depois, o Jorge Jesus não teve o carácter de dar os parabéns ao rival e considera que o Benfica dominou todo o jogo; já o Villas-Boas é campeão e, obviamente, lança mais farpas aos benfiquistas até porque deveriam ter sido goleados e o pobre do árbitro, mais uma vez, roubou indecentemente ambos.

Fenómeno futebolístico

Tudo normal, tudo igual, portanto… Os argumentos de sempre, a elevação habitual… O futebol já foi um nobre desporto de paixões e competição. Eu já cresci ao vê-lo como um escape às frustrações quotidianas, mas agora tornou-se numa forma de expressão de ódios e revelação da natureza mais sombria do ser humano. Sublime decadência.

No poker tal como no futebol

O poker está cada vez mais competitivo e a competição gera ambição. Agravado pela envolvência do dinheiro e o surgimento de novos “riquinhos”, o panorama português teria, inevitavelmente, de enveredar por um crescendo de rivalidades. E, ainda que alicerçado numa louvável comunidade unificante (pela qual, justiça lhe seja feita, o pokerpt é o principal responsável) seguindo entusiasticamente os maiores feitos dos portugueses, o poker português vai-se abeirando do paciente abismo.

No entanto, Portugal é ainda invejado. Basta falar com um jogador espanhol para ele manifestar a sua admiração para com a unidade portuguesa, mas as coisas estão rapidamente a degradar-se e os sinais são cada vez mais evidentes. Existem imensos exemplos, mas ilustrando com apenas um, há uns tempos, num EPT, vindo do WC e, ao aproximar-me da mesa, decido fazer um desvio para cumprimentar 2 pessoas e ouço:

- O Tomé, ainda está em jogo?

- Sim, tem x fichas.

- Também, nunca mais perde…

Dei meia volta e escolhi outro caminho para a mesa :) Isto nem me causa aborrecimento (apesar de, neste caso, ter sido uma surpresa), até porque a vontade de ser o melhor fala mais alto para muita gente, o que não é necessariamente mau. Mas podia ser diferente.

Haters em manada

Tal como no futebol, também no poker se manifestam ódios, mas há algo bem diferente. No futebol, talvez pelo seu profundo enraizamento, toda a gente consegue ter um pensamento individualizado e opina diferentemente sobre uma situação, já no poker, enquanto fenómeno emergente, as coisas são diferentes.

Com o surgimento cada vez mais comum das “farms” (grupos de jogadores que se vão suportando com vista à evolução) foram-se instalando pensamentos comuns. Se alguém diz A, parece proibido dizer B – sob pena de afastamento do círculo – e a ideia como que se institucionaliza no grupo. Logo, se um jogador tem determinada característica, corre o risco de rapidamente ficar globalmente rotulado porque o poker, em Portugal, não passa de uma aldeia onde tudo se sabe. E isto gera um fenómeno manada em que as ideias são bastante comuns dentro dos grupos.

Elevação “for the win”

Tal como a atitude pouco inteligente do Benfica ontem que só marcou mais festa ao desligar a luz e ligar a rega, também não há nada a ganhar com estas abordagens, bem pelo contrário. Parafraseando um bom jogador: “seríamos muito melhores se nos preocupássemos essencialmente com o nosso jogo”. Pois, as invejas podem ser bastante inimigas e até tornarem-se auto-destrutivas.

Sinto-me tentado a adaptar uma das frases mais célebres de Abraham Lincoln para: se queres conhecer a verdadeira pessoa por detrás de um jogador de poker, dá-lhe notoriedade e dinheiro. De facto, o dinheiro (tal como o poder) tem este extraordinário dom de estupidificar as pessoas e isto é totalmente transversal em todas as actividades.

O meu conselho é que te esforces por contrariar a natureza mais negra do ser humano e desejes sorte a toda a gente, principalmente à tua comunidade, porque com uma atitude positiva, certamente estarás mais perto da tua hora. E lembra-te que no final, o que mais conta nesta vida, são as atitudes que temos perante os outros.

30 Mar 2011

EPT Snowfest 2011

Posted by Tomé Moreira. 5 Comments

Foi em boa companhia ( Jomané, Zumy e Bloco da Barra) que cheguei à Áustria para mais um torneio. Viagem animada, convivência muito divertida, frio quanto baste, paisagens brancas de sonho e um alojamento excelente que o Zumy desencantou, foram os ingredientes desta etapa que mais se assemelhou a férias que a trabalho.

Mas neste post vou deixar as brincadeiras de parte e apenas resumir a minha participação no torneio. Para não tornar este post demasiado longo e, ao mesmo tempo, assumir um sentido didáctico, vou passar rapidamente pelo dia 1 e 2 e analisar detalhada e estrategicamente apenas o dia 3. Vou anexar também os vídeos das entrevistas do final dos dias do pokerpt com o intuito de completar este resumo.

Dia 1

Praticamente comecei o torneio com metade da stack. Na primeira mão que joguei, dei 4bet com KK na SB a um dos jogadores que me parecia mais explorável e ele pagou. O flop foi 9 alto e o turn foi uma “blank” o que me levou a fazer duas apostas em valor. O turn é um J que completa um possível flush e esta é uma péssima carta porque acerta em algumas das mãos que estão no range dele e que se encontra já bastante reduzido. Eu faço check e ele aposta sensivelmente metade do pote. Estou bastante convencido de que estou atrás, mas começo a pensar se ele poderia ser suficientemente mau para fazer esta aposta com QQ. Após estar ali a pensar em encontrar motivos para pagar lembrando-me de outras situações ridículas que vi nestes torneios, acabei pagar dizendo “show me your jacks”. Ele fez-me a vontade e aqui o iluminado começou o torneio com metade da stack.

Nem tudo é mau e este erro fez-me focar verdadeiramente no torneio. Sem música, sem distracções e sem abrir a boca, comecei a explorar a mesa que estava dividida em 2 grupos: 4 jogadores tights e passivos e 4 semi-loose muito agressivos. Tentando explorar todas as situações que me parecessem boas, decidi assumir alguns riscos desde cedo e, muitas vezes, jogar apenas boards e spots. Aconteceram alguns dissabores, mas, na maioria, fui ganhando e a quantidade de fichas foi subindo. Fui jantar já acima das iniciais 30 mil fichas e o nível seguinte foi de loucos: cheguei a ter mais de 70 mil e três ou quatro oportunidades para me destacar. Esse nível correu bastante mal e, entre uma armadilha que acabarou por se virar contra mim e uma decisão estranha do director do torneio, voltei às 30 mil. Nos dois níveis finais, tornei-me ainda mais activo e, com potes mais ou menos pequenos, atingi as 76 mil fichas no final do dia.

A minha entrevista deste dia está neste vídeo, depois da palhaçada inicial, a partir do minuto 4.

Dia 2

O dia foi longo, mas vou focar só mesmo as mãos com maior impacto na stack.

Estive apenas uma órbita na primeira mesa onde não me mexi. Depois de mudar de mesa, encontrei uma mesa bastante competente e após ter ganho alguns potes pequenos, surge a mão que quase me permite dobrar: tenho AA e levei 4bet de um jogador regular que tinha estado bastante calmo até então. Com posição, paguei apenas e levei check/raise allin num flop . Paguei sem demoras e estava numa situação de “coin flip” perante o do adversário. Ganhei.

Após esta mão, e com mais de 100 bbs, reduzi bastante o risco e entreti-me a ver jogar. Passado algum tempo, abri um pote de AJs e o Anton Wigg, que tinha estado todo o dia na minha mesa no dia anterior, deu-me 3bet no botão (o que não era novidade). Ele tinha um 3bet certamente acima do 12% neste torneio e, como estava bastante deep também, paguei. O flop é KQx, com flush draw para mim, tenho 12 outs para nuts e, obviamente, estou preparado para stack-off, caso necessário. Assim, dei check/raise e tive de pagar o allin dele. Mais uma vez, estou perante (flush draw) e nova situação de aproximadamente 50/50. A sorte trouxe-me um A no river e fiquei próximo das 250bbs!

Aproveitando a entrada de 3 ou 4 jogadores exploráveis na mesa e a crescente relevância das antes, voltei a ficar mais activo e fui subindo gradualmente até que surgiu a mão mais difícil do torneio perante um adversário com uma stack semelhante à minha e, contra quem, já tenho algum histórico. Não vou explicá-la porque iria duplicar o tamanho deste já gigante post. Mas acabei a foldar o river depois de ter pensado um tempo record (à volta de 10 minutos). Após me ter perdido 2 ou 3 vezes entre linhas, ranges e contas, acabei por estimar que o meu call – tinha apenas um par – seria, à volta de 60% das vezes, mau e desisti.

O resto do dia, foi um pouco difícil porque fui perdendo alguns potes importantes que aproximaram a minha stack da média, acabando nessas condições, 180 mil.

Dia 3

O dia 3 foi bastante curto e está razoavelmente sintetizado na entrevista (em baixo), mas, como prometido, vou explanar o meu pensamento e explicar pormenorizadamente as minhas decisões.

Começou com 81 jogadores, a 9 do dinheiro portanto, blinds de 2k/4k e o objectivo imediato principal era não correr demasiados riscos até assegurar um dos lugares pagos. No entanto, uma análise mais detalhada fez-me optar por uma estratégia um pouco mais “loose” que a óbvia: a mesa apenas tinha 2 jogadores com mais fichas que eu e isso representava uma oportunidade a explorar. Além disso, começava o dia com 45 bbs, o que permitia uma certa margem de manobra. Sintetizando, poderia tanto explorar algumas stacks débeis que seriam obrigadas a jogar muito conservadoramente, como tentar encontrar um ou mais “spots” para desafiar o “chip leader” do torneio que se encontrava na mesa. Se as coisas corressem mal em algum ponto, assumiria uma estratégia muito defensiva para me focar nos prémios, mas a ideia seria amealhar fichas no período “pré-bubble” de forma a poder enfrentar com mais optimismo os objectivos seguintes: passar ao dia 4 e depois chegar à mesa final.

Sentei-me e identifiquei os quatro jogadores regulares sobre os quais não possuía muitos dados. A postura menos usual de dois outros jogadores (um à minha esquerda com mais stack que eu e outro com 1/3 da minha stack dois lugares à direita) fez-me atentar especialmente nos pormenores destes e, até prova em contrário, rotulei-os como os mais exploráveis.

Mão 1

Na quarta mão após o reinício do torneio, decido abrir as hostilidades: tenho KQo no HJ, precisamente na BB do “Chip Leader” (CL). Das três mãos anteriores, ele abriu e ganhou duas delas. Aparentemente, está a compreender e a explorar o contexto de proximidade dos prémios e a fazer uma correcta interpretação do conceito de ICM (Independant Chip Model – algo que penso explicar num próximo post). Posto isto, apesar de ser cedo, esta configuração parece ser agradável para começar a jogar porque tenho uma mão com força relativa, tenho uma stack ainda confortável que, mesmo que decresça possui margem de manobra para atingir os prémios e ainda estou com posição perante o único jogador que pode querer dar-me “playback” com mãos marginais mas que, ainda assim, não deverá arriscar demasiado contra alguém que tem 1/3 da sua stack quando tem uma enorme quantidade de “spots” mais apetecíveis nas próximas órbitas. O maior contra de jogar esta mão é que, este mesmo jogador, poderá enveredar por uma estratégia muito agressiva e querer assumir o controlo total da mesa tentando subjugar todos os restantes sem descriminação. Conhecia o jogador regular à minha direita e em conversa, ele confidenciou-me conhecer bem o CL assegurando-me que se tratava de um jogador moderadamente agressivo mas muito perspicaz e inteligente. Aconselhou-me a ter cautelas, mas também acrescentou que duvidava que eu seguisse o seu conselho. Fiquei surpreendido com o seu conhecimento sobre esta minha faceta. De facto, ele tinha razão.

Abri o pote para 9100 e fui pago pelo CL. O flop foi e ele faz check. Acertei o flop e a linha mais forte é claramente a cbet. Aposto 13.500 e recebo call. O turn é e ele opta novamente pelo check. Aqui já considerei as minhas 2 opções: posso controlar o pote assumindo uma linha conservadora e defensiva ou posso fazer nova aposta em valor, protegendo também a minha mão num flop muito susceptível a draws. Analisando a textura da board e o perfil do jogador que enfrento, posso realizar que:

- É quase certo que este jogador, perante um projecto forte, assumisse uma linha de liderar o flop através de uma “donk bet” ou, ainda mais provável, check/raise;

- Draws mais fracos continuam possíveis;

- Não é de todo expectável que, nesta situação, ele opte por uma linha de check/call seguida de check/raise em puro bluff;

- O range de call pré-flop que me domina nas 3 primeiras cartas é composto por apenas 4 mãos: KT, K7, TT e 77. O call pré-flop em armadilha com AK ou AA não é suficientemente provável para ser considerado neste contexto uma vez que estas mãos fazem certamente parte de um range polarizado que ele estará certamente a utilizar para dar 3bet nesta situação pré-flop;

- O turn coloca-me atrás contra mãos com um 7 (A7, Q7, J7, 97, 87, 76, 75). O facto de estarem dois 7 na board torna esta hipótese mais rara, ainda que possível. Neste caso, seria bem possível também que liderasse o turn;

- Mãos com valor são muito possíveis: ou envolvendo um K; ou envolvendo um T e, neste caso, o 7 dá força à nossa mão porque elimina 3 outs do adversário (excepto contra AT e QT); ou ainda pares (22-66, 88, 99, JJ e QQ);

- O meu “perceived range” é enorme. O adversário não tem, neste momento, qualquer possibilidade de reduzir o meu range significativamente e terá de abordar a situação considerando apenas a força da sua mão e a sua vantagem de fichas sabendo que está em desvantagem posicional. Isto é, terá de contemplar, no meu range, tanto bluffs como mãos com valor;

- O pote está em aproximadamente 50k o que representa quase 1/3 da minha stack.

Apesar de o check ser perfeitamente justificável pelo risco elevado do “timming” da mão, perante este cenário, a possibilidade de estar à frente é tão grande que torna a aposta a melhor opção. Para completar a análise da mão e a linha a assumir, falta ainda antecipar o movimento do meu adversário e decidir o valor da aposta. Perante o exposto, a hipótese com maior probabilidade é estar perante mãos com valor, mais ou menos, marginais, por isso, a aposta ideal será um valor relativamente baixo já que queremos ser pagos por mãos bastante marginais e ainda, ter um impacto relativamente pequeno na nossa stack se, por ventura, estivermos enganados e levarmos 3bet. Neste caso, temos imenso a perder e teremos de desistir da mão assumindo a possibilidade de que o adversário optou por uma linha menos ortodoxa e estará à nossa frente.

30 segundos nestas ponderações e aposto 18 mil (cerca de 1/3 do pote) com o intuito de fazer bet/fold. O adversário pensa um pouco e, como esperado, dá call.

O river é um K o que é praticamente uma “gin card” porque coloca-nos em “3rd nuts”. Na verdade, a carta é um alívio porque reforça a nossa mão de tal forma que nos possibilitará ir allin sem grandes preocupações, mas vai “abafar” algumas mãos com valor (são os casos os pares 22-66). Por outro lado, mãos de A alto como sendo AQ ou AJ, apesar de menos prováveis, vão ganhar algum valor. Perante o check, apostei 28 mil e levei call, provavelmente de um T ou JJ, 99, 88.

Interessante como uma mão banal pode dar bastante que pensar e escrever, hein?

Mão 2

Pouco tempo depois, há um allin de 16 bbs de um dos tais jogadores não regulares no CO. Eu estou na SB com TT e não há muito que pensar. A única decisão é se faço call ou allin. A BB, que era um dos jogadores que inicialmente tinha mais fichas que eu, tem agora um pouco menos e ainda não jogou uma única mão. Opto pelo mais óbvio call com o intuito de desistir caso a BB coloque as suas fichas em jogo.

Mal faço o call, o CO vira AJo e a BB vai ao tanque. 2 minutos depois, desiste da mão, mostrando AQs e outro jogador afirma também ter um A. O flop traz o A que faltava e volto aos 180 mil com que iniciei o dia.

Mão 3

O CL começa verdadeiramente a colocar pressão abrindo perto de 80% das mãos. O meu colega da direita, mais intrépido, faz dois 3bet allins, sendo o seu único desafiador. Em três órbitas, eu aproveitei três mãos de “descanso” do CL para manter a intensa pressão sobre os shorts que agora têm entre 5 a 8 bbs apenas quando faltam cair dois ou três jogadores para os prémios, apesar de correr o risco de ter de dar call com mãos muito marginais perante um allin. A minha ala da mesa está bastante composta (temos os três mais de 30bbs), mas do outro lado estão os quatro shorts e o CL está, correctamente, a preferir abrir todos os potes nas posições BUT, CO e HJ. Concluo que há uma boa oportunidade para fazer um movimento pré-bubble, porque vou estar quase sempre perante mãos frágeis e vou ser respeitado. Obviamente, prefiro fazer o movimento com uma mão minimamente decente e a oportunidade surge quando o CL abre em mini-raise e eu tenho 33 na SB.

Neste caso, o movimento de agressão terá de acontecer no flop, já que dar 3bet continua a ser muito explorável. Dou call e a BB também dá call. O flop é AQ5 (rainbow) e decido-me pelo check/raise para 28 mil com intenção de gastar dois barris, caso necessário. A BB sai do pote e o CL paga o que não é o desejável. Neste momento, não consigo, assertivamente, colocar o adversário num range porque tanto posso estar perante uma mão com valor como o adversário pode ter adivinhado as minhas intenções e estar a tentar um movimento em “float”.

Seguindo o plano, faço nova aposta no turn (36 mil) que é o (possibilidade de flush draw) e recebo um call bastante rápido o que dita a desistência da mão :(

O river é uma blank e faço check/fold a uma aposta que me colocava allin. O alemão mostrou-me um e, mais tarde, viria a confidenciar-me que tinha e havia transformado o seu A num bluff no river. Péssimo spot que escolhi para o meu movimento…

Mão 4 e final

Reduzido a 100 mil fichas (20bbs), pouco mais restava do que esperar que os prémios chegassem, ainda assim, tive a audácia para dar 3bet allin com JJ a um raise do CL. Felizmente, os prémios chegaram logo de seguida e, na primeira mão após rebentar a bolha, o mesmo jogador da mão 2, vai allin de 24bbs. Tenho AQs no botão e sei que aquele jogador apenas havia jogado aquela mão. No entanto, a minha stack é tão frágil que torna a minha mão forte demais para deixar passar. Dou call e perco a corrida para 99 deixando-me com 1500 fichas.

Estou allin e nem quis ver as cartas e acabei por perder 83 para AJ.

Resumo

É sempre bom fazer ITM e estou contente por isso, mas sinto que mais uma vez perdi uma oportunidade para ganhar um prémio realmente relevante. Para além disso, foi um torneio muito bem passado entre boa gente e todos a torcermos uns pelos outros. E mais, divertimo-nos imenso e isso… é o que fica :)

10 Mar 2011

Como ser um “prodígio no poker”

Posted by Tomé Moreira. 3 Comments

Vim para o portátil que uso para escrever e, antes de começar a “teclar” sobre o tema que tinha em mente, abri meia dúzia de sites para ver as últimas notícias como sempre e… voilá, tema do momento: José, o novo prodígio português do poker. Tanta celeuma que decidi pôr-me a par: li o post do seu blog e, de seguida, ouvi a entrevista com atenção. Entretanto, coincidência ou não, fui abordado sobre o que achava sobre o tema. Bem, na verdade, os termos das abordagens são mais se eu acredito ou não na história.

Já agora, e porque vou aproveitar para abordar algumas ideias… o outro tema fica para a próxima e aqui vai o que penso sobre isto.

Quem é o José?

Para quem não sabe, o José Macedo é um rapaz de 18 anos que começou a jogar poker há pouco mais de 1 ano e que apresenta ganhos estimados em 2,5 milhões de dólares. As dúvidas surgem porque, para além de ser uma evolução extremamente rara (única em Portugal), o José possuiu, supostamente, várias contas, o que torna a confirmação dos números complicada. Agravante ainda de ser um desconhecido que agora resolveu aparecer depois de alguém divulgar a história num fórum.

Em primeiro lugar, e respondendo à pergunta mais em voga: eu acredito. E a razão poderia ser tão simples quanto esta: não tenho porque não acreditar. Na verdade, ouvi atentamente o José e pareceu-me um rapaz com a cabeça no lugar, principalmente para alguém com 18 anos. Depois, a história de vida que relata contribuiu certamente para uma formação de um carácter suficientemente vincado para tornar o feito perfeitamente possível. E resumindo, é a prova das máximas que tenho vindo a defender. A aptidão e o sucesso no poker dificilmente nasce nas árvores e não acredito em pré-destinados. O sucesso tem 2 máximas: vontade de aprender/evoluir e muita dedicação. O José não se cansa de indicar estes factores como determinantes para os seus resultados e, por isso… Parabéns José!

Objectivos no poker

Já aqui ramifiquei 2 formas de abordagem do poker. No post “o céu é o limite”, falei de 2 tipos de jogadores: “grinders” e “shooters”. Eu assumo-me claramente como “grinder” e a razão é simples: daqui a um par de meses vou ser pai de 2 filhos, tenho imensas responsabilidades e tenho de preservar a minha estabilidade fazendo os possíveis para contornar toda a volatilidade que esta actividade pressupõe. Por estas razões, nunca esteve nas minhas prioridades, subir níveis. Agora, se eu tivesse 18 anos, muito tempo, poucas responsabilidades e a adrenalina a inundar-me o sangue, a minha abordagem seria garantidamente diferente.

É mau e errado? Claro que não. São formas diferentes de ver as coisas e nenhuma é mais correcta que a outra. No entanto, ambas pressupõem as mesmas máximas: disciplina, equilíbrio, auto-controlo, gestão, vontade e muita perseverança.

A cada mês que passa, tenho mais a convicção de que o trabalho duro é tudo no poker. No projecto de coaching que estou a levar a cabo já vi um pouco de tudo: pessoas a conseguirem suplantar as notórias limitações iniciais e outras com boas bases e formações a ficarem para trás por falta de dedicação. Por isto, não corroboro com o maior argumento para as dúvidas da história do José que é: estes números são “runnar” bem demais. Acho que, neste caso, o José é mesmo um prodígio, porque a dedicação e evolução dele foi algo mesmo só ao alcance de alguém que escolheu os métodos correctos e se dedicou sem limites. Agora, porque nós não o conseguimos fazer, não quer dizer que outros o não consigam.

O futuro

Agora vou falar de um tema que considero bastante sensível e que talvez desenvolva num próximo post. Eu tenho uma teoria para o futuro do poker. Consigo fundamentá-la firmemente mas não o vou fazer aqui. Mas, a competitividade actual do poker, vai levar a que o futuro passe por treinar miúdos muito jovens (diria entre 14 a 16 anos) para o poker e estes se tornem nos grandes jogadores. E vamos ver verdadeiros campeões com 20, 24 anos. A razão principal está na tal dedicação e passo a exemplificar.

Recordo-me perfeitamente das verdadeiras maratonas a jogar jogos de estratégia ou Quake quando andava no secundário e faculdade. Na altura, o poker não existia, mas, se existisse, eu seria capaz de passar 14 a 16 horas diárias a jogar, porque cheguei a fazê-lo só para tentar ser campeão da faculdade de um qualquer jogo a feijões. Bem, hoje em dia, e apesar de ainda me considerar um jovem :) , é-me muito mais complicado passar as mesmas horas em frente a um computador, não só pelas responsabilidades que a minha vida pessoal exige, mas porque a paciência e concentração se vão desgastando com o tempo.

Obviamente ganho noutros campos, como a gestão, o auto-controlo e disciplina, e é por isso que acho que a fórmula de sucesso passa por ter alguém experiente a orientar devidamente jovens com potencial.

Mas isto levanta outras questões e é por isso que considero este tema sensível. O poker é um jogo para maiores de 18 e nesse aspecto, concordo plenamente. Com o tempo, questionei vários dogmas sociais e distancio-me de muitas ideias, mas neste ponto estou de acordo: os menores não devem jogar a dinheiro.

Maiores felicidades

O José é um excelente exemplo e uma lição para muita gente que se vende demais e estuda de menos. Alguns têm até já bons contratos, mas nem fazem ideia da distância que os separa dos rudimentos mais básicos da teoria do poker. Repito os meus parabéns pelo sucesso e desejo-lhe as maiores felicidades. Gostei de ouvir a possibilidade de fazer parceria com o Phounder, poderia ser uma dupla explosiva, porque o Phounder é daqueles putos que tem aquela intuição inata que também é necessária (e também se treina). De resto, como ele vai começar a jogar ao vivo, espero ter a oportunidade de estar com o José em breve aí numa mesa.

4 Mar 2011

1ª vitória do ano – Etapa 2 do CEPC

Posted by Tomé Moreira. 1 Comment

E espero que não seja a última… Depois de não ter podido jogar a 1ª etapa para jogar o dia 4 do EPT de Deauville, depois de um Dezembro, em que ganhei o campeonato de HU e fiquei num 10º lugar que custou a digerir no Main Event do circuito de 2010, chegou a hora de voltar à casa que melhores recordações me tem dado por cá.

As alterações para 2011

O circuito deste ano não tem nada a ver com o do ano passado. Agora são 20 mil fichas iniciais para 40 minutos de blinds. A estrutura quase não tem saltos e a jogabilidade mantém-se por bastante tempo. O único senão é a hora tardia a que começa o torneio.

Relativamente ao field, também continua a ter alguma responsabilidade na falta de jogabilidade, já que a acção torna-se demorada com o aproximar dos prémios. Mesmo assim, pareceu-me ver uma melhoria também neste aspecto.

Dia 1

No primeiro dia, andei a saltar de mesa em mesa e até lhes perdi a conta, mas devem ter sido 4 ou 5. As 2 primeiras eram notoriamente fracas, com imensa gente a cometer erros e sem grande noção da dinâmica de jogo em torneios. No entanto, a 3ª era já muito competente e a partir daí o cenário manteve-se.

O primeiro salto deu-se na primeira mesa depois de ter conseguido rentabilizar um combo draw. Na altura passei para as 50 mil fichas. Beneficiar de uma vantagem substancial tão cedo, permitiu uma gestão mais confortável do primeiro dia do torneio. Entretanto tive algumas boas mãos que foram dando para recolher alguns bons potes e acabei a colocar mais pressão nos últimos níveis do dia. Mas, um par de potes perdidos com infelicidade mesmo antes do final do dia, colocou-me “apenas“ em 13º lugar da chiplead.

Dia 2

No segundo dia, as coisas começaram a correr razoavelmente bem. Após alguma acalmia, consegui rentabilizar boas mãos: eliminei o Pedro Zagalo com TT e o Miguel Silva e o Renato Almeida com AA “back to back”, algo que, se não me falha a memória, nunca me tinha acontecido antes. Ainda assim, antes dos AA, muita sorte ao ver o meu KT ganhar ao JJ do adversário.

Já no dinheiro, a opção passou a ser aproveitar a alguma passividade na mesa, recorrendo a constantes roubos e tentando gerir, na medida do possível, a imagem. De uma forma mais ou menos discreta, cheguei à Final Table. Esperei pela primeira mão em que consegui dobrar (QQ vs AK) e a partir daí optei por uma estratégia mais agressiva, chegando a fazer sequências de 4 ou 5 aberturas consecutivas. Já 3 handed, dobrei frente ao líder com 2 pares contra 2 pares no turn e acabei por eliminá-lo com A7 vs AK numa altura em que 6 vezes mais stack que ele.

No HU, contra o João Nunes que fez um torneio exemplar, conseguindo gerir de forma notável a sua stack sem grandes oportunidade, não houve grande história. A vantagem era já de quase 3 para 1 e ele rapidamente ficou abaixo das 20 bbs, optando correctamente por fazer 3bets allin. Até que bateu em JJ e viu o seu A4s derrotado.

Uma sempre importante e bem-vinda vitória. Obrigado por todos os parabéns que recebi durante esta semana :)

Deixo aqui o vídeo da entrevista que dei no final do torneio.

22 Feb 2011

EPT Copenhaga – Dia 1

Posted by Tomé Moreira. No Comments

Desta vez, a pedido de algumas famílias, vou partilhar as mãos que joguei no dia 1A do EPT de Copenhaga. Normalmente aponto isto, mas não costumo partilhar. Para não tornar isto muito extenso, vou apenas indicar as mais banais e explicar as mais significativas. Não vou ter grandes preocupações com o português nem com a linguagem, espero que fique acessível.

Na 1ª mesa em que estive as primeiras 7 horas/níveis, tinha 2 jogadores muito agressivos à direita e os 2 mais erráticos à esquerda. Tentei (e consegui) aproveitar este “setup”.

Nível I (50/100)

- KJ na BB. Dei call a um raise. O flop foi K high e a mão resultou num retorno de 900 fichas.

- 33 na BB. Dei call num pote 3-handed. Flop: KQ3, optei pelo check/raise. A acção ficou por aqui e rendeu 1100.

- 99 no HJ. Abri o pote e levei call das blinds. Flop: QTx rainbow, check arround. Turn: K, apostei, fui pago e desisti no river face a aposta. -550

- A2s no botão. Check arround todas as streets num pote 3-handed. Ganhei com A alto, +500.

- JTs. Paguei raise com posição. Flop AT5 e check check. Paguei um turn de Q e desisti no river. -700

- 67s paguei com posição num pote 4-handed. Desisti num flop Q63.

-> A mão mais relevante neste primeiro nível é a seguinte:

no CO. Abro para 275 e levo call do botão, SB e BB. O flop é , ambas as blinds fazem check. Aqui a linha mais óbvia talvez fosse apostar, mas eu preferi o check. A motivação é que, ao apostar, vou condicionar a acção mesmo de um A bem provável perante 3 adversários revelando valor na minha mão. Isto poderá até correr muito bem se o botão tiver o A e for ele a apostar, por isso, decidi assumir o risco. O botão também fez check. O turn foi , check da SB e a BB aposta 625 e eu, para não desvirtuar a linha, opto pelo call continuando a assumir o risco de não proteger a minha mão, call do botão e da SB. O river é que não é a carta ideal, mas também não é a mais perigosa. Check das blinds e eu, sabendo que vou ser pago por qualquer Ás aposto 3/4 do flop (2500), levo call apenas da SB que tinha AT. Aceito outras linhas nesta jogada, mas penso que esta foi a que me permitiu a melhor rentabilização, ainda que consciente dos riscos envolvidos.

Nível II (75/150)

- AJs. Fold no flop. -400

- 57s paguei abertura para um pote 5handed e foldei flop.

- A3 na BB. Raise para 400 botão que abria imenso, call da SB. Subi para 1125 e o botão pagou. Flop: 862. Cbet obrigatória, apostei o pote (2600). O botão pensou bastante , mas largou.

- QJs, abro para 400 em late, call da BB. Flop: KT8 com backdoor flush draw e o adversário faz check/fold aos meus 650.

- Q6s na BB. Complete da SB que sai a apostar num flop de 976, dei call. Turn e river foram T e “checked arround”. Muck da SB.

- A7s na SB. Abertura do botão e decidi-me pelo call. Flop: AKQ e faço check/call a 400. O turn é Q e não há acção. E no river (4) apostei 1/3 do pote, mas não fui pago.

-> A mão interessante do 2º nível vem agora:

Tenho A5s no botão e há uma abertura de um MP tight, call do jogador seguinte e eu sigo o exemplo, assim como a SB (qualifier espanhol, bastante errático). Flop: 234 e ele sai a apostar 1250, fold até mim e, penso que poderei estar perante um set ou um 5, nenhuma destas jogadas vai desistir facilmente e, por isso, opto por subir para 3200, ele dá call como esperado. O turn é um K e ele sai novamente a apostar 6400 e fica com 7700 para trás. Tenho a 2ª melhor mão e não está nos meus planos sair da jogada com este jogador, faço o movimento óbvio mandando as minhas fichas grandes para o meio e, passados 4 ou 5 minutos, ele atira o 66 para o meio faced up.

- A7 na BB e o pote chega com 3 limps até mim, não exerci opção. Flop: AA5, o SB agressivo e criativo (é o grande amigo do Eastgate que faz questão de dizer que é o melhor jogador que conhece) sai a apostar 300, eu dei call e o resto desistiu. Turn é K e ele mete agora K, sem outra alternativa visível, paguei novamente. O river é um 5 e ele desiste a uma aposta minúscula minha.

Primeiro intervalo do dia com 49 mil fichas.

Nível III (100/200)

A badbeat do dia surge na 1ª mão deste nível:

-> 88 no hj e abro para 525. O espanhol dá call no botão. Flop: Q87 e eu faço check/call à aposta de 1200 dele. Turn é um K e ele, depois de eu passar, mete 2400. Eu faço allin e ele dá call com KQ. River: Q.

- O amigo agressivo à direita abre para 450 em MP e eu dou call com 88. Flop: 522 e pago 500. Turn: 4 e pago 1000. River Q e check/check. Ele anuncia 4.

- Ajs em UTG. Meto 525, apenas o meu amigo da BB paga. Flop: AQ2 e ambos check. Turn: 5 que também me dá flush draw, ele aposta 600 e eu subo para 1600 que ele paga. River: T, ele check e eu aposto 1500 que não são pagos.

-QJ. Pago um raise de um MP competente. Flop: AA5, e, perante o check dele, eu apostei 600 que ele pagou. No turn (9), ele saiu a apostar 1500 e eu desisti.

- T9s em UTG. Dei mini-raise (400) e o senhor seguinte dobrou a aposta (800). A BB criativa fez mini-raise (1200) e eu saí… como ele queria.

- AA. Mão interessante, porque o senhor mais tight do outro lado mesa quer apostar, mas engana-se nas fichas e não lhe deixam passar o movimento. Finjo que não vi e faço uma aposta regular (525), ele apenas dá call. O flop é AK7 e ambos passamos. O turn trás um 3º ouro para a mesa (9) e eu, após o seu check, aposto 800 e ele call. O river é um 4 e eu meto 3000 e ele fold.

- Q9s abro em MP e o senhor seguinte paga. O flop dá-me flush K high e, mal eu pego nas fichas ele faz fold.

Nível IV (150/300)

- A8. Abro EP e recebo 3 calls. Flop: K35, check arround. Desisto no turn (9) a aposta da BB no que viria a ser o maior pote que vi no dia (2 eliminações).

- AQ. O UTG abre para 725 e eu, em HJ, dei call. Flop: A95, paguei 1125. Turn: 6, ele check e eu 1700. Fold.

- A7s. O nosso amigo abre em UTG+1 para 625 e eu paguei, mas desisti a uma 3-bet que não estava planeada.

- QJs na BB. O botão mete 800 e eu dei call. Flop: QQ5, decidi-me pela “donk bet” de 1000 e call. Turn: A, apostei 1700 e call. River: A e check check. Ganhei

Fui para intervalo com 51 mil fichas.

Nível V (150/300 ante 25)

- A9s na BB. O botão sobe para 800 e eu dei call. Flop: KQ8, eu 1000 e fold.

- 98s no botão. Raise 750 de um EP, há um call e eu pago também. Flop T42, check arround. Turn 6, check, bet 1800 e eu fold.

As próximas 5 mãos foram seguidas:

- TT no CO. HJ raise 750, eu dou call e há mais um call numa das blinds. Flop QJ6, check, bet 1600, eu fold…

- TT. Raise do UTG+1, eu call, allin do senhor à minha direita de 5200, call do raiser inicial que fica com 15 mil atrás. Acabei por me decidir pelo allin e ganhei a corrida a QJ.

- A7s. Abri e levei as blinds.

- TT. O jogador a minha direita abriu para 625 e eu, desta vez, optei pelo 3bet para 1500. Fold arround.

- A7s. O mesmo jogador volta a abrir e eu dei call. A BB decidiu-se pelo raise de 1800 e o raiser inicial paga. Eu pensei um bocado e acabei por foldar o que se revelou mau, porque ía render mesmo muito. Se eu fosse adivinho… :)

- KJ na BB. O botão sobe para 800, há um call e eu pago também. Flop 965, check check, bet de 1600, call e eu fold.

- 88. Raise do UTG e eu, no CO, dou call. Flop: TT8. Bet 1025 e eu call. Turn: 6, nova aposta de 2200 e volto a pagar. River: J, check e eu 5500, fold.

- A7s. Abri e levei as blinds.

- AK na SB. UTG+1 abre para 800, eu aumento para 2150 e levo call. Flop: A54, eu aposto 2100 e fold.

- KK no CO. O amigo da direita sobe para 900, eu meto 2400, call. Flop: T97, 2 ouros, check, eu 2500 e recebo call. O turn é um 4 de ouros e decido apostar 3500 após check do jogador. Fold a overpair, nas palavras dele.

Nível VI (200/400 ante 50)

- AT EP. Abro para 850, o botão sobre para 2500 e eu dei call. Flop: KJx, passo e ele aposta 2500. Desisti

- 66 em UTG. Fiz mini-raise, call da posição seguinte. O flop é KQ9 e faço check, ele aposta 1600 e eu desisto.

- JJ no CO. Aposto 900 e levo as blinds.

-> Esta foi a mão que mais me rendeu no dia e, analisando bem, fiz um erro no river:

AJs no HJ. Há um raise EP para 1025 e um call MP, eu pago e a BB também. Flop A45 e todos fazem check até mim. Aposto 2200 e a blind e o EP desistem, mas o MP paga. O turn é um J e ele faz check, eu aposto 3700 e call. River 9, ele decide apostar 6700 que é sensivelmente metade da stack e aqui ponderei entre o call e o allin. Acabei por decidir-me pela linha mais conservadora para ver o AK na mão dele.

Terminei o nível com 90 mil fichas, máximo do dia.

Nível VII (300/600 ante 50)

Estando bem deep e com uma stack bem confortável para levar para o dia 2, apenas joguei uma mão neste nível:

- 76s EP. O suspeito do costume, à minha direita sobe para 1225, eu pago e há mais 3 call. Flop KT3, o último jogador aposta 2200 e todos desistem (eu inclusive).

Nível VIII (400/800 ante 75)

- AK em UTG. Abri e levei as blinds.

- AQ no botão. HJ abre para 2300, dei call. Flop: AK8, 3 paus. Ele check e eu 3300. Ele desiste.

-> A jogada que correu mal no dia. Surge após ter mudado de mesa. Ironia, o meu amigo que jogou para aí metade das jogadas descritas aqui, mudou-se para a mesma mesa, exactamente à minha direita:

66 no CO. Um jogador abre para 1750 e ele dá call. Eu, na posição seguinte decido dar 3bet por ter estado 3 órbitas sem jogar na mesa. Fold e call dos colegas. Flop: TT3, ele check e eu aposto 7500, call. O plano aqui passou ser fold no turn que foi um J. Ele deu check e eu achei que podia levar isto para outro level. A razão é que ele sabe que eu sei que o J pode ajudar o range dele (JJ é uma mão provável) e eu, ao apostar novamente vou demonstrar que estou sem medo. Eu estou a colocá-lo definitivamente num par (88, 99, QQ, por exemplo) e sei que ele vai ter muita dificuldade em arriscar o seu torneio com estas mãos. Não me importei com o size e apostei forte. Ele levou bastante tempo a anunciar allin com o seu KK e eu desisti, perdendo um pote enorme.

- AT MP. Um jogador coloca as suas últimas 100 fichas e eu decido subir para 2100. A SB faz call. Flop: 663 e, após o check da SB, decido apostar 3000 brincando que iria mostrar a mão. Ele fez fold e eu perdi o pote principal para A4 com um 4 no turn.

- A7s UTG. Última mão do dia e decido subir (1700). O meu amigo da BB decide juntar-se à festa para uma brincadeira final. Flop: A88 e ele check, eu aposto 2200 e ele call. O turn é 4 e ele volta a fazer check. Sei perfeitamente que quer fazer float no river e decido fazer-lhe a vontade :) Check. River 3 e ele, como esperado, mete 3700, call e ele muck.

Acabei o dia com 75100 fichas. Nada mau!

16 Feb 2011

Um clube de poker londrino

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Fox Poker Club

Após convite da Betfair, não desperdicei a oportunidade de visitar novamente Londres e participar no circuito da nossa casa. Ao contrário do que acontece em Portugal, em Inglaterra, os clubes são legais o que é óptimo. O ambiente é agradável e descontraído e, neste em particular, os limites são bastante baixos. O torneio começava no sábado, mas fui até lá na sexta espreitar. Jogava-se um torneio de 22£ e, como era cedo, ainda só havia mesas de cash de 1£/1£. No sábado, havia, gratuitamente, senhas de bebidas, jantar, massagens e vouchers para jogar nas roletas no clube e no casino online para quem quisesse. Considerando as 20£ de comissão, concluo que o negócio da exploração do poker em Inglaterra está muito longe das práticas lusas onde a coisa ainda está muito elitista.

171 jogadores que puderam ver o seat draw nas várias televisões espalhadas pelo clube. Nem sequer houve controlo nas mesas ao sentar o que espelha a boa fé dos jogadores que frequentam o sítio, alguns deles a jogar de portátil ao colo a fazer apostas :) Já em jeito de balanço, não foi um bom fim-de-semana em termos de resultados, mas nem por isso dei por mal entregue o tempo dispendido.

O torneio

Pouco a dizer. As coisas correram bem apenas nos 2 primeiros níveis onde comecei a meu gosto (algo loose e agressivo) ganhando 40% da stack inicial, mas depois disso, foi uma descida consistente. A mesa era bastante fraca e, aproveitando o incremento de fichas inicial, a imagem inicialmente criada e considerando o facto de estarem 3 jogadores loose e maus à minha esquerda, optei por uma estratégia bastante tight. Uma run de cartas deplorável fez com que quase não jogasse durante 3 níveis e quando o fiz, correu mal. Por exemplo:

- blinds a 75/150, estávamos a sentar após o intervalo. Apenas 4 jogadores na mesa e um senhor de idade, muito agitado, olha para as cartas e sobe em UTG* para 500. Eu estou na BB e vejo…. JJ (melhor mão do torneio). Normalmente até opto pelo call nestas situações, mas tendo em conta as particularidades desta mão, decidi dar 3bet para 1350 com o plano inicial de não desistir. Mas o senhor simulou (muito mal) uma cara de agonia e de desespero. Aquele teatro todo levou-me a concluir que ele estava a preparar um allin, mas ele acabou por fazer raise para 3 mil (1/3 da sua stack quase). Desisti sem dificuldade o que chateou visivelmente o senhor que confessou no final que tinha AA.

O resto do torneio não teve história e tive vários 44’s. Num deles, consegui acertar no flop sem que a minha stack saísse significativamente beneficiada. Na última mão do nível 200/400, apenas com 6.5k, há um limp* MP* de um jogador que repetia este movimento sucessivamente sem que nunca tivesse subido qualquer aposta antes, vejo 89s e a expectativa de poder melhorar a stack em 20% sem grandes riscos esbarrou no AA do “limper”.

No domingo, joguei um torneio satélite de 33£ e, como entrei em late registration (bastante avançado) apenas joguei um 77 que larguei no flop e um AJ que perdeu para um 33 e ditou a minha última mão no clube.

Boa gente

Só mais uma nota para realçar o segundo lugar do Hugo Cruz que, surpreendentemente me abordou na mesa em português. Ele veio em representação da equipa “MD Poker” juntamente com o Luís Rodrigues e a convivência foi simpática. Parabéns Hugo, com um HU tão grande e tão bem jogado, merecias melhor sorte.

Glossário do post

Limp – fazer call sem que haja um raise prévio

MP (Middle Position) – posição intermédia entre a BB e o botão.

UTG – primeira posição a falar pré-flop (à esquerda da BB).

15 Feb 2011

O impacto da sorte nos torneios

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São frequentes as demonstrações de tristeza nos lobys dos torneios após as eliminações. Discurso comum: não tenho sorte nenhuma, nunca vou ganhar nada. Será verdade que a sorte pode ser o principal responsável pelo nosso fracasso nos torneios? Este texto pretende reflectir sobre este tema, mas adianto já que a resposta é um claro SIM.

Longo prazo?

É comummente aceite que o poker é um jogo de habilidade e aptidões influenciado por factores aleatórios aos quais chamamos sorte. Toda a nossa experiência e qualidade pode não valer de nada se na altura decisiva do torneio, perdermos numa situação em que éramos 80% favoritos. É de difícil aceitação e a nossa agonia começa…

O principal problema dos torneios é que eles são frequentemente decididos em apenas uma ou duas jogadas e, numa jogada, pode acontecer um pouco de tudo. Obviamente, compreendemos que, a longo prazo, as melhores soluções terão um expectativa bem mais positiva que as decisões medíocres num torneio de poker. Mas o que é o longo prazo nos torneios de poker ao vivo?

Consideremos um jogador regular dos maiores circuitos que passam pela Europa (EPT, WPT, WSOPE, Partouche, etc…). Bem aproveitado o tempo, ele vai conseguir jogar, em média, um torneio principal a cada 15 dias o que dará uma soma total de 26 torneios anuais. Ora, muitos jogadores de torneios online fazem 26 torneios num dia! Por isso, em torneios ao vivo o longo prazo pura e simplesmente não existe.

Isto explica porque se vê muita gente com qualidade excepcional nos EPTs e que ainda não estiveram perto de ganhar alguma coisa. No entanto, continua a ser verdade que um bom jogador precisa de menos sorte que um jogador menos apto para ser bem sucedido num torneio.

Enquadramento social

Desde muito cedo, foi-nos incutida a ideia de que a nossa competência seria responsável pelo sucesso profissional e que, da nossa evolução dependeriam directamente os nossos resultados e a nossa posição social futura. Este dogma educativo vai-se abalando gradualmente quando vemos um colega de turma a tirar melhor nota do que nós porque conseguiu copiar bem ou roubou previamente o teste ao professor ou quando o colega de trabalho é promovido porque conseguiu entrar no circuito de jantares do patrão ou porque utilizou a nossa ideia naquela apresentação em que estava o chefe.

Também neste contexto da sorte, o poker apresenta uma perspectiva exponencial relativamente ao que nos é oferecido no dia-a-dia pela sociedade e pode ser um bom instrumento de treino e aprendizagem para as nossas vidas.

Soluções

Apesar de não parecer, não é a primeira vez que toco neste assunto neste blog. A diferença é que normalmente uso um termo que gosto mais: variância. Mas, na verdade, variância e factor sorte são a mesma coisa. Não nos resta outra alternativa senão encarar os torneios em que a pouca sorte ditou a nossa eliminação com calma e serenidade e tentar reflectir sobre o que poderíamos ter feito melhor com a certeza de que, se continuarmos a praticar as melhores decisões, estaremos mais perto daquele torneio em que a sorte finalmente nos vai sorrir porque, como dizem os nossos avós, a sorte também é de quem a procura.

25 Jan 2011

Etapa 1 do Solverde e 1º EPT do ano

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Normandia outra vez

Noite a ver NBA e ténis para não dormir, avião às 6 e meia, alugar carro em Paris, andar perdido pelos campos da Normandia, chegar a Deauville a tempo de um grande almoço para depois fazer o registo para o EPT que jogarei amanhã.

Foi um dia divertido e muito bem passado na companhia do Mário Mineiro – que me veio fazer companhia e está a fazer uma espécie de estágio para um eventual EPT futuro – e do Júlio Gomez que encontrámos no aeroporto. Tenho pena de ter esquecido o hábito de marcar estas viagens com fotos (há algum tempo já), mas eles estão a tirar algumas pelo que desta vez vai haver recordações.

Apesar de não ser novo nestas andanças, sinto sempre prazer nestas viagens e é, sem dúvida, um aspecto positivo. Já no destino, o ritual habitual dos cumprimentos e conversas com colegas e já amigos que, apesar de muitas vezes serem de outras paragens, partilham paixões.

Agora resta descontrair um pouco e descansar bem o que nem sempre é fácil… Muitos portugueses por aqui, boa sorte para todos.

O arranque do Solverde de 2011

Começou em Espinho como sempre, nesta sexta-feira, a 1ª etapa do Solverde do novo ano. E começou muito bem, devo dizer: na primeira mão, ganhei 50% da minha stack inicial após ter feito 3bet* com QQ e ter sido pago em todas as rondas de apostas. Após isto, uma mão com top pair* top kicker* (par mais alto das cartas comunitárias com ainda um Ás) fez-me recuar, mas uma série de potes bem conseguidos fez-me melhorar novamente a stack até ao 4º nível para depois, nos 3 níveis finais do dia, ter ganho apenas a mão final. Terminei com 17.700 fichas.

Segundo dia: mesa interessante; bom começo; maus 3º e 4º níveis do dia; stack inicial do dia e dobrar QQ vs TT. 40 mil fichas e abrir com J9s, levar call do Tiago Ferreira em LP com AK que me paga 3 sequinhos – 3 apostas em bluff 8-) , semi-bluff no flop e turn, neste caso – depois de eu ter visto um draw forte no flop. Pote de quase 60 mil perdido, para um grande call dele no river. A minha jogada ainda me parece bem e não sei bem que leitura ele teve, mas acabou por conseguir um excelente call com A alto. Cair para as 10 mil fichas, perder mais algumas e ir allin com Q9 com 7 bbs (blinds a 500/1000) e levar 2 calls de 99 e TT.

Em Fevereiro voltamos ao circuito, desta vez em Chaves.

Glossário do post

3bet – subir a aposta, após ter já havido uma subida de aposta inicial

Top pair – possuir uma carta que “faz par” com a mais alta das cartas comunitárias

Top kicker ­– possuir um Ás na mão numa situação em que nenhum jogador consegue reforçar o valor das cartas comunitárias

18 Jan 2011

Resumos de torneios e FKPT – etapa 1

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Os resumos dos torneios

Como prometido, vou iniciar um ciclo de sínteses de todos os torneios “ao vivo” de 2011. Estes torneios estarão listados num novo separador neste blog. Pretendo que os resumos sejam breves e ilustrem, de uma forma genérica quais as principais opções tomadas em cada torneio. Apesar de depender da relevância dos torneios e dos resultados obtidos, apresentarei algumas (poucas) das principais mãos jogadas e a escolha destas mãos deverá ser pelas mais relevantes para a posição no torneio. Como exemplo, neste primeiro torneio explicarei apenas 3 (a primeira que me permite praticamente dobrar o número de fichas iniciais, a que marca o início da descida da stack* e a mão final).

Como tenho recebido algumas queixas sobre os termos que utilizo por amigos menos familiarizados com o mundo do poker, vou criar um glossário que irei construindo à medida que vou utilizando termos novos. Isto porque, para mim, torna-se complicado desligar da terminologia inglesa que uso habitualmente, não só porque é a que uso no dia-a-dia, mas também porque não consigo traduzir todos os termos. Este glossário também ficará acessível num novo separador.

Este resumo já deveria estar disponível na semana passada, mas, como tinha planeado, este ano começou a todo o vapor e, para ajudar, decidi participar numa race* da betfair apontando, como objectivo, para o top6. Resultado, não tenho tido tempo para grande coisa, nem para dormir… Enquanto escrevo este post, estou em 4º na race que podem encontrar aqui.

Como acabou, assim começa

Pela Figueira da Foz, o ano começou como terminou o anterior: perto do final do primeiro dia tinha à volta de 8 stacks iniciais, mas não foram suficientes para passar ao dia 2.

O dia começou calmo numa mesa acessível e, apesar de me ter atrasado um pouco, no 2º nível já levava um incremento de 50% relativamente ao total de fichas inicial, normalmente com showdown* e algumas value bets* marginais bem sucedidas. Mudaram-me de mesa e encontrei mais agressividade. A adaptação foi demorada e as primeiras mãos fizeram-me perder a vantagem conquistada inicialmente. Já no nível 150/300, surge a mão que quase me dobra:

- o Pedro Oliveira (skyboy), com perto de 9 mil fichas, abre para 725 em EP*. O Pedro é um jogador bastante loose*, pelo que, ao ver   é impensável para mim, dada a minha e a sua stack, desistir da mão. Assim sendo, tento induzir um allin* ao subir para 1950 e ele acabou por aumentar para 3500 o que não podia ser bom porque, normalmente é o movimento que indicia uma mão mais forte. No entanto, a decisão estava tomada e acabei por ter sorte ao bater os dele.

Dado o mote e com algumas boas mãos e agressividade quanto baste, subi bastante a minha stack e conquistei 5 bounties*, uns ao acertar no flop* e outros com bons calls (num deles acabei por dar call difícil com K9 a um 3bet allin de 98s).

Depois de chegar às 80 mil fichas e numa das minhas piores decisões no torneio, acabei por desistir de um pote com top pair devido a uma má leitura e, a partir daí, foi sempre a cair:

- tenho na SB*, há um raise* EP (praticamente mini-raise – 1300 em blinds 300/600), em seguida há um call* MP e eu opto por pagar também e, a BB, segue-me o exemplo. O flop é e eu opto pela donk bet* no valor de 3500. Segue-se fold por parte da BB e do “raiser” inicial, mas o Pedro (MP*) vai allin de 13 mil fichas. Pensei bastante: o pote já estava bastante grande, mas a imagem que tenho do jogador é de alguém bastante tight. Achei que havia grande probabilidade de estar dominado e que, na melhor das hipóteses, estaria perante um draw* combinado forte. Este era o único jogador da mesa onde ponderaria desistir desta mão, mas considerando a minha stack, as fichas já envolvidas e ainda o facto de se tratar de um torneio KnockOut, este acaba por ser um mau fold. O Pedro mostrou .

As blinds estavam já grandes e, sempre que tentava algum movimento, tinha acção posterior. De facto, a mesa não estava propriamente uma facilidade o que, aliado a uma má run de cartas, resultou numa descida consistente e prolongada na stack.

Na mão final, com aproximadamente 38 mil fichas e já no último nível (blinds a 1000/2000) há um raise da Rita que estava a abrir bastantes mãos, i.e., tomar a iniciativa de raise pré-flop na posição Cut-off* para 5.500 fichas. Tenho 66 na SB e, sem grandes dúvidas, decido-me pelo allin. Perante o perfil do jogador que fez o raise, a relação da minha stack com as blinds e o valor relativo da minha mão, esta decisão é claramente a correcta, mas, azar dos azares, a BB tinha AA na mão :) Fim do torneio.

Ainda assim, acabei por ficar marginalmente positivo neste torneio uma vez que eliminei 5 jogadores. Nota ainda para o resultado da minha esposa que terminou nas posições pagas. Foi comigo para aproveitarmos o fim-de-semana e consegui convencê-la a jogar para não ficar apenas a ver. Ainda bem que o fez… Foi um fim-de-semana bem passado junto de bons colegas e amigos.

Glossário do post

Allin – colocar toda a stack em jogo arriscando o torneio.

BB (Big Blind) – é frequente encontrar a tradução para português “casadela grande”. É a colocação obrigatória de fichas por parte do jogador que está 2 posições à esquerda do jogador que possui o cartão de Dealer (botão). O valor de fichas é, normalmente, o dobro do colocado pela SB.

Bounty – Nos torneios KnockOut, cada jogador possui um cartão (bounty) que tem um valor monetário real. Quem eliminar um jogador, fica com o seu cartão de bounty, tendo direito à quantia correspondente.

Call – O acto de pagar o valor da aposta actual.

Cut-off – posição imediatamente à direita do botão.

Donk Bet – acto de sair a apostar (sem posição) quando não se foi o agressor na street anterior.

Draw – projecto. Os mais comuns são os straight draws (projectos de sequência) e flush draws (projectos para cor, ie, 5 cartas do mesmo naipe).

EP (Early Position) – uma das 2 ou 3 posições (dependendo do número de jogadores da mesa) imediatamente seguintes à BB (big blind).

Flop – as 3 cartas comunitárias iniciais

Fold – desistir da mão.

Loose – jogador que tende a jogar muitas mãos

Mini raise – uma subida da aposta anterior que é o mínimo possível. Este termo é mais frequentemente utilizado pré-flop

MP (Middle Position) – posição intermédia entre a BB e o botão.

Pré-flop – Como o nome indica, é a acção (ronda de apostas) que se dá antes do flop.

Race – competição que, dado um determinado critério, premeia os melhores com valores monetários.

Raise – subida do valor da aposta.

SB (Small Blind) – é frequente encontrar a tradução para português “casadela pequena”. É a colocação obrigatória de fichas por parte do jogador que se encontra imediatamente à esquerda do jogador que possui o cartão de Dealer (botão). O valor de fichas é, normalmente, metade do colocado pela BB.

Showdown – situação em que os jogadores são obrigados a mostrar as cartas. Pode acontecer após qualquer street de apostas, caso haja uma situação de allin e call, ou então no river quando, após todas as rondas de apostas, existe mais de um jogador em jogo.

Stack – número de fichas

Street – ronda de apostas.

Value bet – colocar uma aposta com a intenção de ganhar fichas por existir a percepção de que a nossa mão é a melhor e poderá ser rentabilizada.

31 Dec 2010

Estoril, Balanço de 2010 e Planeamento de 2011

Posted by Tomé Moreira. 2 Comments

O ser humano sempre sentiu necessidade de qualificar e quantificar. É bem mais fácil assimilar uma palavra ou um número do que emaranhar argumentos num debate mais complexo. E é isso que muita gente faz agora no final do ano. Eu não vou ser excepção e vou qualificar este meu ano relativamente ao poker. A quantificação já assume contornos um pouco mais pessoais e ficará para mim.

Estoril

Mas vou começar pelo último evento do ano de que ainda não falei aqui. Está bastante descritivo, pelo que, podem passar à frente se não acharem particularmente interessante e ir directamente para o Balanço.

HU

Como referi no último post, comecei por jogar a final do torneio de HU contra o Sr. Renato Arie e começou mal. Os dois primeiros HU foram incaracterísticos e estive quase sempre atrás, ainda que por vezes, com boas mãos. Por isso, a vantagem chegou cedo para o meu adversário e eu não conseguia contrariar. No primeiro HU, acabei por perder numa situação (Qs9s num flop de AsKsQx) depois de um pré-flop em raise do adversário (pouco comum) em que tenho uma decisão entre check/call ou check/raise tendo de jogar para a stack neste caso. Acabei por optar pela 2ª linha, porque achei que poderia conseguir fold no turn de AJ e AT. Acabei por estar contra AK e fiquei a perder 1-0. No 2º sit, incaracteristicamente surgiu uma brincadeira em “trash talk” sobre flops de 99x em que o Sr. Arie mostrava consistentemente um 9. Isso aconteceu várias vezes e acabei por ir allin após check/raise do adversário num flop 998 com K8, por pensar que o adversário estava a usar o histórico. 0-2!

Numa altura em que começava a detectar vários padrões, simplificando as minhas decisões, surge um 3º sit muito equilibrado e uma situação de QQ vs AJ num flop J high. Ganhar esta mão e este sit foi determinante para o desfecho final porque, nos restantes 2 sits, dominei do início ao fim, apenas com situações de allin com vantagem de 85% para mim, no mínimo. Foi um “come back” saboroso para o meu único título do ano.

Main Event

Moralizado, fiz um bom torneio num field misto, mas a tender francamente para o fraco.

No primeiro dia, terminei o dia próximo da stack inicial (30 mil) depois de sofrer suckouts em 3 mãos que geraram potes relativamente grandes. Um runner runner trio do adversário e um 99 vs 55 allin pré-flop perto do final do dia. Na outra, joguei mal e passo a explicar: raise do UTG e 2 calls, tou na SB com 46s e decido-me pelo call. Vem 623 e decido-me pela “donk bet” (sair a apostar), call do raiser inicial que indicia um par médio (77-TT). O Turn é um 4 e eu continuo a linha apostando 2/3 a ¾ do pote, levo call. O river é um 2 e eu precipito-me com um check. Claramente um erro porque é um spot perfeito para uma aposta forte transformando a minha mão num bluff, uma vez que a mão do meu adversário está “faced up”. Perdi para 88 como esperado.

No dia 2, estive numa mesa agradável e joguei sem erros visíveis. Fui ajudado por uma run razoável de cartas e subi às 200 mil, altura em que perdi um pote enorme quando decido dar 4-bet allin com AK vs AA contra um jogador tight. Desci às 35 mil, mas consegui recuperar novamente terminando acima das 200 mil. Destacando uma mão: tenho AK na SB e estou a abrir bastante e agressivo. Levo call de um bom jogador no botão e o flop vem AQx, 2 copas. Decido jogar em check/allin simulando um draw e conseguindo um call de QJ do adversário num bom pote.

No dia 3, encontrei uma mesa bastante fraca, jogando claramente “scared Money” (o dinheiro em jogo pesava nas decisões). O stalling (perder tempo propositadamente) tornou-se ridículo, de tal forma, que –  comparando com o EPT que tem uma estrutura semelhante, e onde se entra nas posições pagas nos níveis 2k/4k ou 2.5/5k – aqui esteve-se a jogar o 6k/12k sem estar no dinheiro. Aproveitei, na medida do possível, para ir ganhando fichas. No final, trocaram-me de mesa o que gerou uma situação em que, na bubble da FT, mais de 80% das fichas estavam na minha mesa e 5 shorts na outra. Acabei por perder numa mão em que tenho KK e tenho mais de 600 mil fichas. As blinds estão a 16k/32k e abro para 77k, o CL dá call na BB com 96o e vai allin directo num flop de 874. Obviamente que dei call e levantei-me após ver um T no turn. Um 10º lugar que custou um pouco a digerir, mas são ossos do ofício.

Balanço

Sinceramente, o que vi nos eventos principais agora de Dezembro, levou-me a reformular o planeamento para 2011 e vou jogar mais torneios cá dentro. O nível ainda é bastante fraco e as novas estruturas podem tornar estes torneios mais exploráveis. Mas já lá vamos…

Como o prometido é devido, vamos ao balanço. Tenho de dividir as coisas e então é simplesmente isto: Live – Mau; Online – Bom!

Live

Após um segundo semestre de 2009 bom em torneios live com bons cashes no WSOP e em 2 EPTs, este ano foi o vazio. O resultado dos torneios “majors” é nulo, foram 7 EPTs e 3 eventos das WSOP sem um único cash. E nem o 2º lugar num Solverde e uma boa prestação nos torneios finais do Estoril amenizam um resultado que é simplesmente Muito Mau!

Já fiz a minha análise à minha prestação. Apesar desta classificação final ter um significado relativo uma vez que não existe longo prazo em torneios live e 10 torneios ser uma amostra insignificativa, existem conclusões que se podem tomar. Alterei bastante o meu estilo de jogo este ano, tornando-me mais intrépido e agressivo. Nestes torneios, cheguei quase sempre longe (vários dia 2 e até dia 3 no WSOP), mas nunca me preocupei em chegar apenas aos prémios e isso resultou mal. Outra conclusão que tiro é que os EPTs estão mais duros que nunca e é, de facto, muito difícil ter um expectativa positiva face a estes torneios.

Online

Foi um ano com descida de nível! Dediquei-me ao “grind”, participando em races e gerando condições para jogar eventos live. Iniciei também de forma séria o “coaching”. Correu francamente bem, e, sem grandes detalhes, os resultados excederam claramente as expectativas do início do ano. Houve obviamente alguns erros também. É um modelo a manter e refinar talvez com uma subida ligeira de nível.

Planeamento

Apesar de um ano menos bom live, a aposta será ainda reforçada. Pessoalmente, o planeamento é condicionado pelo nascimento do segundo rebento a meio do ano pelo que decidi planear apenas os primeiros 5 meses que se antevêem como meses de trabalho intenso. Estou também a iniciar uma outra actividade a nível profissional e estou a dar formação na área da informática pelo que vou andar numa “roda viva” tendo literalmente as horas do dia contadas. Em Junho, vou abrandar e dar atenção à família. A expectativa será manter o online (coaching e algum cash). Ir a Las Vegas está fora de hipótese este ano, o que acontecerá pela primeira vez em 5 anos.

Então até Maio, tenciono jogar 17 torneios live! À última hora, alterei a aposta inicialmente pensada para torneios de buy-in médio (1k a 2k) e jogar os circuitos nacionais que parecem um pouco mais interessantes e ainda 5 EPTs. Fica então aqui o plano para os torneios até Maio:


(peço desculpa pela qualidade da imagem)

Legenda:

SPSSolverde Poker Season
CEPCCasino Estoril Poker Challenge
KFPTKnockOut Figueira Poker Tour
EPTEuropean Poker Tour

Vou também tentar uma dedicação pontual a MTTs online. Talvez uma sessão quinzenal. Para terminar, gostava ainda de tentar melhorar finalmente este blog. Para já, vou fazer um separador novo com os torneios live de 2011 e fazer um resumo de cada um deles.

Um grande abraço/beijinho a todos e um excelente ano de 2011!